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Christina Oiticica lança exposição “Fauna e Flora” em Portugal

Em parceria com Blake Jamieson, renomada artista brasileira que vive em Suíça expõe pela primeira vez em terras portuguesas, após passar por 17 países.

  • Uma das mais reconhecidas artistas do movimento Land Art, Christina Oiticica traz pela primeira vez uma exposição para Portugal.
  • Christina Oiticica vai expor 11 telas no Lukas Art Gallery no Palácio Biester, em Sintra
  • A nova exposição da artista, “Fauna e Flora”, estará na galeria de 16 de julho a 17 de agosto
  • A artista já esteve diversas vezes em Portugal com o seu marido, o escritor Paulo Coelho
  • As obras ficaram 9 meses enterradas em Monthey, em Suíça
  • Christina Oiticica já expôs em 17 países
  • A Land Art foi criada nos anos 1960 e tem Christina Oiticica como um de seus expoentes
  • O estadunidense Blake Jamieson, que assina as obras com a artista, é fã de Paulo Coelho e conheceu Christina pelo Twitter

Uma folha a cair da árvore, uma lagarta. Nunca se sabe quando a inspiração dirá um “alô”. E muitas vezes não se percebe e o que vem de fora até nos irrita. No entanto, a inspiração está ali. Foi o que aconteceu com Christina Oiticica em 2003. Ao pintar uma tela de 10 metros numa floresta, a artista plástica viu a natureza intervir. Primeiro passou-se ao achar que estava a atrapalhar a sua obra. Depois abraçou a ideia. A partir daí, a artista desenvolveu uma técnica em que permite que a natureza aja sobre as suas criações. O seu mais recente trabalho poderá ser conferido pelo público português. Depois de passar por 17 países, Christina Oiticica expõe pela primeira vez em Portugal com “Fauna e Flora”, uma mostra em parceria com o norte-americano Blake Jamieson. A coleção estará no Palácio Biester, na Luka Art Gallery, em Sintra, de 16 de julho a 17 de agosto.

“Conheço Portugal quase todo. Já fui muitas vezes ao país. E há muito tempo que queria ter uma exposição para o público português”, afirma Christina Oiticica, que é casada com o escritor Paulo Coelho e lembra a primeira vez que o casal esteve cá: “Foi para o lançamento de um livro do Paulo e ficamos hospedados num hotel de Sintra. É uma cidade que gosto muito. Lembro que adorei o Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros… e também os doces portugueses. Amo todos”.

Quem for à galeria de Sintra vai poder conferir o resultado de um processo de intervenção da natureza que durou nove meses. Foi o tempo que os quadros feitos em parceria por Christina e Blake ficaram enterrados em Monthey, em Suíça, onde a brasileira vive. A técnica é chamada de Land Art, foi criada nos anos 1960 e tem Christina como um de seus expoentes.

“A nossa proposta foi deixar por nove meses porque é o período de uma gestação. E depois disso, vimos a semente crescer sobre a nossa obra”, explica a artista.

Christina iniciou, por acaso, essa bem-sucedida parceria com a natureza, que já a levou a experiências em vários cantos do mundo. Ela já enterrou os seus quadros na Amazônia, no Japão, na Índia, no Rio de Janeiro, numa aldeia indígena na Bahia e chegou a ter mais de mais de 100 obras sob a terra no Caminho de Santiago de Compostela.

“A técnica começou em 2003, na França. Estávamos morando num hotel, eu tinha uma exposição em Paris e precisava trabalhar. Era complicado trabalhar no quarto porque sujava tudo, ficava com cheiro de tinta. E eu recebi uma tela de 10 metros e decidi pintar na floresta. Deixei o quadro por lá para secar e caía uma folha, depois um inseto. Eu ficava estressada, achando que ia estragar o quadro. Mas comecei a ver que a natureza estava interferindo na tela e resolvi aceitar.” Pensei: “Vou usar isso e começar a trabalhar em parceria com a natureza”. Essa tela de 10 metros, que era um rolo, eu fui desenrolando a cada estação ao longo de um ano e criei a obra que chamei de “Quatro estações”. Eu ia pintando e enterrando. A partir daí, fui explorando outros espaços para manter essa parceria com a natureza”, conta.

A dupla com Blake Jamieson iniciou-se de forma inusitada: pelo Twitter. O artista estadunidense é fã de Paulo Coelho e entrou em contacto com Christina. Depois de conversarem, surgiu uma conexão e a vontade de trabalharem juntos. Foi a brasileira que sugeriu o tema “Fauna e Flora”. Christina ficou com a Fauna e Blake, com a Flora.

“Serão 11 telas na exposição, sendo nove que foram desenterradas e uma delas, transformada num quadro tríptico. O Blake me mandou as telas, eu incluí as borboletas e enterramos em Monthey (Suíça). Fizemos uma performance, com a participação de umas 50 pessoas, que vieram ajudar a colocar os quadros na natureza. Eram amigos nossos que trabalham com arte. Depois, todos voltaram para desenterrar as obras. Foi emocionante”, lembra Christina, que depois trabalhou na preparação das obras que serão vistas pela primeira vez em Portugal.

Confirme sempre junto da sala de espetáculos ou promotor as condições de acesso, confirmação da data ou horário, local de venda dos bilhetes, preço e disponibilidade.

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