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Conversa com Rita Onofre

em dia de Aniversário e concerto no Bota

No dia em que Rita Onofre, sobe ao palco do Bota Anjos em Lisboa, dia de dupla celebração, o concerto e as 28 primaveras de Rita que celebra hoje, publicamos esta pequena conversa com a artista.

Fala-nos um pouco sobre ti e o teu percurso até este momento?

Faço música por necessidade de expressão, e procuro encher o meu dia-a-dia com ela desde que acabei de estudar. A minha direção é poder um dia usar todo o meu tempo para criar.

Chamo-me Rita, sou cantora e compositora. Procuro ser o mais livre possível como artista e ir retirando os filtros que vou encontrando no processo de criar música. Tem sido esse o processo desde o meu início, em 2020, um confinamento que me fez parar de adiar esta viagem em que estou agora.

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Rita Onofre – 2023.07.07 – NOS Alive-Dia 2 ©LuisMSerrao

Como foi a experiência de participar no Festival da Canção?

Foi maravilhosa. Não foi só fácil nem só complicada, teve de tudo. Nunca perdi de vista o que eu mais queria fazer: traduzir a criatura da forma mais fiel possível. Isso deu-me imensa leveza e abertura sempre que algo não corria como eu queria e energia para fazer melhor na vez seguinte. Entre trabalho fora e dentro do estúdio conheci na RTP uma equipa de profissionais cuidados e preocupados, e imensos artistas com quem troquei palavras valiosas. A equipa Criatura foi-se montando desde o fim de 2023, um conjunto de artistas que se revêem na mensagem que quis que chegasse ao palco do Festival da Canção. Senti o compromisso e a genuína vontade de que a Criatura brilhasse alto. Foi um momento de enorme foco, muita dúvida que sempre vem de mãos dadas com a superação.

Qual a importância que teve e especialmente poderá ter na tua carreira?

Durante a experiência do Festival fiz ligações que vieram manter-se na minha equipa. Abriu-me portas e permitiu-me mostrar um pouco do que consigo fazer se conseguir ter acesso a uma estrutura.

Como é o teu processo criativo?

Não há um modelo que se repete, mas escrevo muitas vezes a partir de uma qualquer sensação que pretendo tentar compreender melhor. O corpo sabe sempre e guarda as histórias todas, e escrever música, quando estamos abertos a isso, é a forma de o deixar falar. Acabo por descobrir muita coisa no que vou escrevendo, no timbre que adopto a dizer certa frase, as ideias que me surgem quando pego numa guitarra ou no piano.

Não é só agradável, há muita frustração, mas a é navegando através dela que encontro novos sítios. Talvez seja isso que me faz gostar de fazer música.

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O  que vais apresentar na BOTA ANJOS?

Uma mostra crua e acolhedora das canções que têm brotado desde 2020 a voz e guitarra. Esse é o formato em que criei a grande maioria das composições, um que tenho vindo a adiar apresentar, mas que sempre me liga ao que há de mais essencial nelas. Sinto que a experiência do Festival me deu também vontade de me desafiar mais uma vez. Faço-o no meu aniversário, e faço assim questão de que seja ainda mais alegre!

Qual a razão para escolher Ana Mariano, Elisa Rodrigues, Juliana Anjo e Sara Cruz como convidadas?

São quatro mulheres que adoro ouvir. De formas diferentes têm aquilo que mais gosto de ouvir num músico: sensibilidade. Com elas é sobre traduzir o que vai cá dentro. Com a Elisa Rodrigues vivi a experiência de criação e edição da Sonhar; com a Sara Cruz partilho a música que escrevemos também com o Luar , Neblina; com a Juliana Anjo vivi uma feliz estadia no Funchal de onde saiu um tema que queremos apresentar no dia 30; e Ana Mariano, poetisa e compositora que sairá de dia 30 com vontade de tornar real esta nossa vontade de co-compor.

Como é que o teu percurso de vida tem influenciado o teu trabalho?

Ser artista em Portugal é pura teimosia. É prova de que quem cria, só o faz porque tem de o fazer. Podemos ter muita sorte ou não, entretanto aprende-se a trabalhar, e a fazê-lo sem matar a leveza necessária ao olhar curioso que dá origem à nossa melhor obra. É uma aprendizagem.

Então eu tenho muita sorte por um lado, tenho um pai e uma mãe que assim que perceberam que isto não era uma fase, quiseram ajudar a todos os níveis. Percebem que eu tenho que fazer isto e de certa forma fazem sempre parte da equipa.

Por outro lado estou sempre em busca do meu lugar na Indústria. Há muitas formas de o fazer. Eu sou songwriter nos Estúdios Great Dane, gravo e edito vozes, dou aulas individuais de música, faço sessões de música para bebés, tenho um coro. Estou sempre à procura de formas de trabalhar que estejam ligadas à Música. O sonho continua a ser viver este meu projecto a solo a 100% com todas as suas ramificações possíveis.

Criar é um ato de auto-reflexão, e em Portugal ainda não percebemos que precisamos da Arte. De consumir, de dissecar, de falar sobre ela. Se queremos uma sociedade mais desenvolvida, se queremos eleitores mais críticos, viremo-nos para a Arte.

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Rita Onofre < BOTA ANJOS

Quais são as tuas influências musicais?

Não sei bem o que se consegue ouvir no final, mas ouço muito: Bon Iver, Tim Bernardes, Charlotte Day Wilson, Chico Buarque, BANKS, Cordel, Silly, Hiatus Kaiyote, Paramore (Riot!), Slow J, Doja Cat, Manel Cruz.

Se pudesses escolher qualquer cantor para fazer um dueto, com quem seria?

Justin Vernon.

Com que músico/s gostarias de trabalhar num próximo projecto e porquê?

São muitos os nomes: Carminho, a garota não, GOIAS, Salvador Sobral, Filipe Melo, Margarida Campelo, MARO. Seria uma escola enorme poder colaborar com qualquer um destes artistas e sinto que me ía mudar muito esse processo.

E depois da BOTA, onde podemos ver-te ao vivo, já tens concertos marcados?

Depois do BOTA vou editar um novo single e mergulhar cada vez mais no processo de criação do álbum em duas partes que estou a fazer. Quero muito poder concentrar-me na criação neste momento e aproveitar os músicos maravilhosos com quem me vou cruzando.

Não perca o concerto hoje no Bota Anjos da Rita Onofre que terá comoconvidadas, Ana Mariano, Elisa Rodrigues, Juliana Anjo e Sara Cruz, que será também a celebração dos 28 anos de Rita.

Concerto

  • 30 de abril – 21h
  • BOTA ANJOS – Largo Santa Bárbara 3D, 1150-287 Lisboa
  • Preço: 8€

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