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Exposição “Leitura do Mangue” estará patente até 8 de outubro no Porto

Mostra retrata a viagem de Filipa César e Sónia Vaz Borges à Guiné-Bissau e revela a luta anticolonial que passou pelas escolas

Com curadoria dos professores Daniel Ribas e Nuno Crespo, a exposição pode ser visitada até dia 8 de outubro na sala de Exposições da Escola das Artes da Universidade Católica no Porto. Esta será a última oportunidade para assistir ao vivo ao trabalho das duas realizadoras. 

Como são as condições dos alunos nas escolas guerrilheiras dos manguezais? A exposição “Leitura do Mangue”, de Filipa César e Sónia Vaz Borges, responde a esta questão. Numa viagem à Guiné-Bissau, as realizadoras tornaram-se elas próprias nas alunas de uma das escolas e as suas experiências e aprendizagens ao longo desse período é agora retratado na mostra. A abordagem para a exposição parte de uma investigação aprofundada sobre o sistema educacional militante desenvolvido pelo partido africano para a Independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde (PAIGC) durante o processo de libertação, uma luta armada que teve a duração de 11 anos (1963-74) contra a ocupação colonial portuguesa e um interesse recorrente no imaginário do tarafe – palavra crioula para mangue. O mangue é uma arquitetura natural aérea, onde a memória ainda flutua pelas suas redes de raízes e o sopro das marés oxigena um saber de resistência em condição de resistência para o saber. Aqui, entramos num imaginário do enredamento de várias dimensões convergentes: a epistemologia do rizoma, os conceitos de educação militante e política, os ensinamentos dos habitantes da comunidade Malafo, os arquivos nómadas e as noções agronómicas / botânicas da engenharia dos manguezais.

Leitura do Mangue é um mapa de conversação e uma jornada cinematográfica resultante de um esforço coletivo em falar sobre a natureza do rizoma e sua resiliência. A escola dos manguezais não é uma metáfora para uma teoria da resistência, mas sim o próprio organismo materialista de partilha e produção de conhecimento que evoluiu de uma luta anticolonial e que toma o próprio ecossistema de mangue como um lugar de luta permanente – enraizamento vs desprendimento de raízes, aprendizagem vs desaprendizagem. A condição agropoética militante é uma realidade latente”, explicam Filipa César e Sónia Vaz Borges.

A exposiçãoLeitura do Mangue”, estará patente até dia 8 de outubro na Escola das Artes da Universidade Católica no Porto, tem o apoio da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes, da Fundação Calouste Gulbenkian, da Haus der Kulturen der Welt, do Harun Farocki Institute, da “la Caixa” Foundation, e da Câmara Municipal do Porto (Programa de Apoio à Programação Artística CRIATÓRIO).

 

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