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Filipe Sambado apresenta Três Anos de Escorpião em Touro Ao vivo

16 novembro, 22h30 – Lux Frágil, Lisboa
23 novembro, 21h30 – CCOP, porto

Filipe Sambado prepara-se para apresentar pela primeira vez ao vivo o seu mais recente disco Três Anos de Escorpião em Touro. Esta semana atua já no Lux Frágil, em Lisboa, a 16 de novembro, e no dia 23 no CCOP no Porto.

No passado dia 29 de setembro a artista editou o seu 4.º álbum de originais. Com Três Anos de Escorpião em Touro, Filipe Sambado notabiliza-se pela escrita de canções e na pesquisa dum espaço para estas, e este é em espectáculo que amplifica e prolonga a morfologia das suas melodias, os seus ritmos e as suas harmonias.

É no palco que se dramatiza o cruzamento sinestésico do ruído da luz, da temperatura do som, ou da côr da velocidade. A distorção digital e a fragilidade do cansaço na voz. Uma banda formada por Vera Cruz (baixo, teclados e vozes), Joana Komorebi (bateria), Miguel Chinazkee (beats, percussões, vozes e ruídos) e AURORA (vozes). Luz e vídeo Sebastião Pinto. Som por Manuel San Payo.

Os bilhetes para os dois espetáculos já estão disponíveis nos locais habituais.

Sobre Três Anos de Escorpião em Touro:
01. Frasco de Vidro
02. Talha Dourada
03. Mania
04. Entre os Dedos das Mãos
05. Hecatombe
06. Serralha, Serralhinha
07. Coro d’Enby
08. Caderninho feat. CONAN OSIRIS
09. Hybris
10. Choro da Rouca
11. Faço um Desenho
12. Laranjas/Gajos
13. Mau Olhado
14. Cristais de Sono
15. Um Lugar na Mouraria

A obra de quinze temas foi sendo conhecida ao longo do verão através do álbum visual homónimo com os títulos: “Mau Olhado”, o single “Talha Dourada”, “Choro da Rouca”; “Laranjas/Gajos”, “Entre os Dedos das Mãos”, e por último “Caderninho”.

Numa carta aberta a todas as pessoas a que chega Três Anos de Escorpião em Touro, Filipe Sambado escreve:

“Aconteceram em mim mudanças significativas durante estes Três Anos de Escorpião em Touro: a minha reafirmação de género, uma reconstrução familiar (ser pai, mãe, papita ou outro papel de parentalidade não binária), reapropriação discursiva, incerteza, ansiedade, depressão, que trouxeram consigo um confronto com a identidade.

Este trabalho exigiu uma transposição muito concreta de imagética metamórfica, em consequência de todas estas vivências e do período em que foi criado: o cenário eco ansioso, pré-apocalítico, pandémico, pós-pandémico e esta profunda crise belicista do autotélico regime antropocénico, que nos estrangula com a aproximação a uma meta já visível.

A resiliência de algumas memórias ou o brotar espontâneo de outras mais esquecidas, fundem-se entre si, talvez troquem alquimiamente de existência. Esse processo celebra-se na narrativa informal do disco, nas canções, entre canções, na composição, na instrumentação, no espaço e nas mudanças de espaços, na poesia, na melodia, na harmonia, na estrutura, na estética e no questionamento constante de todas as valências nele abordado. Imperou, na produção, esta urgência de trazer para vários planos e dimensões, a efetividade da imagem e a transcendência da mesma, assim como esta variabilidade e instabilidade mutante. Isto é o simulacro dum bombardeamento, de toda a ostentação barroca, que é o ruído do fim.

“You are excrement. You can change yourself into gold.” (Jodorowsky, 1973).

Há uma notória sugestão esotérica no título, uma atribuição de culpas às condicionantes astrais. O impacto do meu Saturno e do meu ascendente em Escorpião, num conflito de três anos com Vénus em Touro. É a minha imagem social, são os meus receios e inseguranças em luta com as minhas rotinas e com o amor que nelas expresso. É um duelo de aparências. No fundo, procuro encontrar aqui a leveza necessária, um contraste com o peso do mundo. Dedicar fé e crença em infactualidades, mas de observação e dedução milenar. Ao mesmo tempo, esperar que a força gravitacional de um conjunto de astros do nosso sistema solar, possa ser responsável pela gestão do meu arbítrio, descansa-me tanto as noites, quanto as atormenta.

O referencial comportamental do horóscopo perpetua arquétipos, estereótipos, caracteres e preconceitos, todavia com muita simbologia e significância de útil aplicação na compreensão e explicação empírica. É uma espécie de senso comum astral.

Pegando nestes pressupostos herméticos, pretendi interligar a videografia e os grafismos deste álbum, conectando elementos do zodíaco constituintes do meu mapa astral, no tecido textual dos vídeos. Há outros esoterismos e paganismos latentes na minha obra e neste trabalho, que andam de mão dada com a expressão naturalista e desafiadoramente concreta da tradição. Isto é a necessidade de criar gramática para novas realidades, novas experiências, por isso novas inteligibilidades, novas noções de sublime e de poética, são a metamorfose do progresso.

Acredito que a expansão do objecto artístico através de outros meios, produz e recria sentidos. O intuito deste álbum visual, é adicionar linguagem e ramificações ao que foi criado no aspecto musical e sonoplástico. Chegar à palavra pela imagem, ao som pela experiência ou pela indução, sugerir a abstracção pelo concreto, propôr o subjectivo.

Senti a necessidade de criar gramática para novas realidades, novas experiências e por isso novas inteligibilidades, noções de sublime e de poética para o progresso. São canções dum cancioneiro comum que transgridem o local de existência e de pertença. O tempo e a paisagem são o que define o objecto. A diferença entre a aberração e o belo, o estranho e o comum é dada pelas condicionantes que o rodeiam.”

Músicas, Letras por Filipe Sambado
Produzido por Filipe Sambado, Rodrigo Castaño e Bejaflor
Interpretado por Filipe Sambado
Gravado por Filipe Sambado e Rodrigo Castaño
Misturado por Eduardo Vinhas e Filipe Sambado
Masterizado por Mário Barreiros
Co produção e percussões de Chinazkee em “Laranjas/Gajos”, “Hybris” e “Entre os Dedos das Mãos”“O Frasco de Vidro” com vozes de Cecília Henriques, Maroskas e Raquel Serra
“Talha Dourada” com a flauta transversal de Violeta Azevedo e o Violoncelo de Laura Carvalho
“Coro d’Enby” com vozes de AURORA, Marianne, João Borsch, João Caçador, Larie, Lila Fadista, Maroskas, Ness, Rezmorah e Marinho
“Caderninho” com voz de Conan Osíris
“Um Lugar na Mouraria” com a guitarra portuguesa de Bernardo Romão

Confirme sempre junto da sala de espetáculos ou promotor as condições de acesso, confirmação da data ou horário, local de venda dos bilhetes, preço e disponibilidade.

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