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Investimento de 3,7 milhões na requalificação do Mosteiro de Ancede cria novo Centro Cultural em Baião

Projecto conta com a assinatura do arquitecto Siza Vieira

A Câmara Municipal de Baião inaugura, a 21 de Abril, o Mosteiro de Ancede Centro Cultural de Baião (MACC), cuja requalificação contou com um investimento total de 3,7M € para transformar aquele Monumento de Interesse Público no novo Centro Cultural da Região, com o objectivo de atrair 16 mil visitantes por ano até 2025.

Tratando-se de um complexo que inclui várias unidades, o Mosteiro integra simultaneamente projectos de dois arquitectos – Siza Vieira, cujo trabalho se materializa no Mosteiro, na Casa dos Moços e no Adro da Igreja (em execução) e Daniel Vale, que assina a obra referente à Igreja. Já projectados, mas a aguardar financiamento, estão os Celeiros, o parque de estacionamento, o pombal, a eira, as cercas e os jardins.

O icónico Mosteiro cuja origem é anterior à fundação de Portugal foi alvo, desde 2001, de cinco fases de intervenção destinadas a conservar, restaurar e reabilitar o espaço nas diversas valências dotando-o, actualmente, de um Claustro com capacidade para 300 pessoas, a que se junta um auditório com 80 lugares e espaços expositivos capazes de acolher 25 pessoas por hora, para além da área exterior.

Com a ambição de se assumir como uma forte ferramenta de captação de visitas para o território, o MACC apresenta um Baião moderno, desenvolvido, provocador e ousado, que se orgulha das suas tradições. Enquanto activo inserido nas rotas turísticas, o Centro Cultural tem já agendada a conferência Green Marble 2023, sobre alterações climáticas, e está ainda a programar a presença de músicos nacionais e internacionais.

Requalificar mantendo a identidade histórica

A requalificação do Mosteiro de Ancede procurou manter a maior variedade possível das marcas dos diferentes períodos temporais. O monumento românico apresenta um conjunto edificado anterior à formação de Portugal, mas revela ainda evidências do passado de outros edifícios referentes ao período romano.

O elemento reconhecível do Mosteiro é a rosácea da Igreja, claramente medieval ou românica, existindo elementos do Barroco, no qual se destaca a Capela do Bom Despacho.

A visita ao espaço tem duas componentes no mesmo edifício: no piso térreo o conceito de ruína consolidada e, ao nível do primeiro piso, a parte requalificada com os espaços expositivos e culturais.

Recuperando a vida do Mosteiro como espaço de cultura e ciência, a Câmara Municipal de Baião tem como objectivo que os espaços históricos preservados sejam utilizados nas várias possibilidades de programação cultural, em qualquer umas das artes que se defina para aquelas áreas, contando com concepção museográfica da GloryBox, cuja programação decorre ao longo de todo o ano com exposições diversas.

Com quatro eixos estratégicos de actuação, o MACC tem uma componente museográfica de memória do espaço e do território, na qual estão integrados elementos artísticos de elevado valor patrimonial, como o tríptico flamengo do séc. XVI de Jos Van Cleef que será exposto na Sacristia, a cruz processional medieval e a capela do Bom Despacho, um exemplo exuberante e único do estilo Barroco em Portugal.

Uma colecção de Arte Sacra que integra quadros, vários cristos, santos, um relicário com osso de S. Bartolomeu, uma cruz processional e um prato de esmolas da Nuremberga faz parte da colecção permanente do Mosteiro de Ancede, assim como uma exposição com vários objectos que contam a evolução do território, desde a pré-história até ao século XVII, como pontas de seta, contas de colar, vasos de cerâmica, aras romanas, moeda romanas, espora medieval, um relicário com a cabeça santa e uma pauta de música dominicana do sec. XVII.

Na vertente cultural, o Mosteiro de Ancede é o novo Centro Cultural da Região que apresenta uma programação diversificada que propõe diferentes abordagens e a arte nos vários contrastes. Do ponto de vista educativo, o núcleo romano identificado na quinta que circunda o Mosteiro serve de ponto de partida para estudos arqueológicos e para uma maior proximidade à comunidade escolar. Paralelamente, a abordagem científica é realizada através de uma crescente proximidade à Academia, à produção de conhecimento e ao estudo do local e da envolvente.

Apoiada por fundos comunitários provenientes de três linhas de financiamento – Programa de Valorização dos Recursos Endógenos (PROVERE), Património Cultural e Desenvolvimento Local de Base Comunitária (DLBC), a requalificação foi assumida em mais de um terço do investimento a cargo da Câmara Municipal de Baião.

Devolver a identidade a um centro gerador de dinâmica local

Ao longo de séculos, o Mosteiro de Ancede foi um centro gerador de vida – não só religiosa, mas também civil e artística -, responsável pela fixação de população, promoção de conhecimento e da cultura, nas terras de Baião.

Com este projecto, a Câmara Municipal de Baião encerra um ciclo de apetrechamento de equipamentos e de infra-estruturas que, na estratégia do Município, representa uma importante aposta na qualidade de vida da população, na qual a componente cultural se reveste de particular importância. Um Centro Cultural em Baião, virado para toda a Região, assume-se como um dos pilares do desenvolvimento local, constituindo uma oportunidade para atrair cultura cosmopolita, inesperada e com um cunho de modernidade num contexto de tradição que orgulha Baião.

Enquanto “Destino Turístico Sustentável”, Baião apresenta activos como o turismo de natureza e aventura, a Área Regional Protegida da Serra da Aboboreira (juntamente com Marco de Canaveses e Amarante), património imaterial (cestas de Frende, bengalas de Gestaçô, cantareus e enogastronomia), activação do património arqueológico e, agora, o Mosteiro e Ancede Centro Cultural de Baião (MACC).

Para o Município, o MACC representa um pólo cultural aberto ao mundo, com projecção nacional e internacional que atraia visitantes e promova o desenvolvimento local. A partilha de acervos e de conhecimento com diferentes públicos cumpre o objectivo de intensificar a criação de parcerias com museus, instituições nacionais e de outros países.

13 hectares dedicados ao vinho e à produção de hortofrutícolas

A quinta que rodeia o Mosteiro de Ancede tem uma área total de 13 hectares que se dividem entre vinha e horta, dando origem a 8.500 garrafas de “Lagar do Convento” – um vinho da casta Avesso destinado a promoção – e hortícolas e frutos que são canalizados para cabazes sociais, entrega a Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), utilização nas refeições da cantina da autarquia, venda dos produtos a preços de mercado abastecedor localmente ou na Casa de Baião, no Porto.

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