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“José Rodrigues, o Guardador do Sol” é uma viagem inclusiva pela obra do artista

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José Rodrigues queria tornar a arte acessível a todos. Para celebrar esta vontade e, ao mesmo tempo, os 85 anos do nascimento do artista plástico, a Universidade do Porto oferece à cidade uma exposição “para tatear, ouvir e ver”, com foco no período em que participou na guerra colonial. “José Rodrigues, o Guardador de Sol” pode ser visitada gratuitamente na Casa Comum da Reitoria da U.Porto, até 30 de dezembro.

Aos 25 anos, José Rodrigues foi chamado para combater em Angola “com aqueles com quem tinha vivido até á adolescência, o povo com quem aprendeu a linguagem dos afetos”, lembra a U.Porto. “Imagina o trauma de ter de lutar contra as pessoas com quem se brincou em pequeno”, terá confidenciado à filha.

Em “José Rodrigues, o Guardador do Sol” é possível conhecer excertos da correspondência trocada nesse período. “Trazia a guerra insuportável ainda na face”, recordaria o amigo Eugénio de Andrade.

A exposição vai buscar o título à escultura apresentada por José Rodrigues na prova de conclusão do curso na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde se formou depois de ter chegado a Portugal, vindo da sua terra-natal, Luanda.

A U.Porto refere que este trabalho “lhe valeu uma nota de 20 valores e um lugar entre os Quatro Vintes, ao lado de Jorge Pinheiro, Armando Alves e Ângelo de Sousa, todos eles formados com a classificação máxima nas Belas Artes do Porto, onde viriam a exercer atividade docente”.

João Belchior, diretor do Departamento de Ação Social da Santa Casa da Misericórdia, que é parceira do projeto, explica que a exposição pretende proporcionar “soluções diferentes, para problemas sensoriais e de inclusão diferentes”. Além da áudio-descrição de algumas peças, os invisuais vão poder “tocar em esculturas e reproduções bidimensionais que permitem identificar o relevo dos contornos dos quadros”, adianta a U.Porto.

Além do núcleo reservado ao impacto da guerra colonial na obra do artista no desenho, escultura, gravura, ilustração, cenografia e medalhística, as cerca de 70 peças que compõem “José Rodrigues, o Guardador do Sol” viajam pela Europa e pelo Oriente.

A universidade lembra ainda que o roteiro da arte de José Rodrigues em espaços públicos na cidade, como o Cubo da Ribeira ou a homenagem ao Duque da Ribeira, está disponível no Museu Digital da U.Porto.

No renovado edifício do Palácio dos Correios é possível ver o busto em bronze da bela e sedutora Salomé fascina o Rei, seu tio Herodes Antipas, com uma dança.

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