Uma noite quente, cheia de energia e boa disposição, ao som contagiante de Neguinho da Beija-Flor. O público não ficou parado e o ambiente foi de pura animação do início ao fim.
Que começo incrível para este festival!
Depois de 12 anos na Ilha da Fuseta, o Festival Pé na Terra mudou-se para a Praia do Ancão, em Almancil para a sua 13º edição.
Neguinho da Beija-Flor (nome artístico de Luiz Antônio Feliciano Marcondes) é um dos mais lendários cantores de samba do Brasil e uma figura incontornável do Carnaval do Rio de Janeiro. Ele é a voz oficial da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis desde 1976.

A sua voz potente e carisma inconfundível, Neguinho da Beija-Flor é o “puxador de samba” — o cantor que lidera a escola durante o desfile — mais reconhecido no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. A sua performance lendária e o seu grito de guerra, “Olha a Beija-Flor aí, gente!”, tornaram-se uma marca registada do Carnaval carioca.
Ao longo de décadas, Neguinho da Beija-Flor liderou a Beija-Flor a múltiplos títulos de campeã, tornando-se uma figura vital para a escola e para a história do samba-enredo. A sua carreira está intrinsecamente ligada à Beija-Flor, e é raro encontrar um fã de samba que não o associe instantaneamente à escola de Nilópolis.

Além de liderar o samba no Carnaval, Neguinho da Beija-Flor é autor e intérprete de várias canções que se tornaram clássicos. Um dos seus sambas mais famosos é a canção “O Campeão”, popularmente conhecida como “O meu coração é a Beija-Flor”.
O seu impacto vai além do Carnaval, ele é uma figura respeitada e amada na cultura brasileira, simbolizando a alegria, a tradição e a paixão pelo samba.
Nesta edição contou com Baiana System, um projeto musical formado em 2009 com o objetivo de encontrar novas possibilidades sonoras para a guitarra baiana, instrumento criado em Salvador, Bahia nos anos 40 e que foi responsável pela criação do trio elétrico.

Os Baiana System são conhecidos pela força imagética e simbólica e das suas apresentações ao vivo e teve as suas músicas incluídas nas bandas sonoras de filmes, genéricos de telenovelas, além de publicidade da Apple, Google, Riot, bandas sonoras de videogames, séries e filmes.
Ana Lua Caiano, que une tradição e modernidade também fez parte do alinhamento. A artista explora a fusão musical, através da combinação da tradição portuguesa com a electrónica, com sons do passado unidos a sintetizadores, drum machines e gravações de campo. A sua música traz o património tradicional português ao mundo moderno.

Contou ainda com a banda guineense Super Mama Djombo, cujas músicas marcaram a luta pela independência e tornaram-se símbolos de resistência e identidade cultural. Este tributo foi conduzido por três grandes talentos da Guiné-Bissau, Manecas Costa, Karyna Gomes e Micas Cabral.
Subiram também ao palco, Trio Macaíba que levou toda a energia do autêntico forró pé de serra diretamente do Brasil para o palco do Pé na Terra. Fado Bicha, o duo que desafia convenções e reinventa o fado com uma abordagem contemporânea e irreverente.

Para além da música os festivaleiros tiveram a oportunidade, nesta 13º edição, de participar em 40 workshops de danças tradicionais como samba, semba, funaná, forró, kola son jon, batuka, maracatu, côco, kizomba para celebrar a cultura popular de África, Brasil e Portugal.
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