30 anos depois do lançamento de “Aos Vivos”, em 1995, o brasileiro Chico César, um dos nomes expoentes da MPB, apresenta uma digressão que celebra este que foi o seu primeiro disco.
Depois de passar por Leiria, Torres Novas, Ponta Delgada e pelo Porto, no dia 18 de março, foi a vez de Lisboa dar as boas-vindas ao cantor.

Num regresso a 1995, o paraíbano apresentou-se em palco da mesma forma que quando gravou o seu álbum: com uma guitarra e a voz despida – o suficiente para dar um concerto que faz jus à sua genialidade.
Seja nas músicas mais animadas, seja nas mais melancólicas, a sala lotada do Teatro Tivoli BBVA cantou do início ao fim e riu-se a cada história contada entre temas. Um concerto que foi uma retrospectiva ao repertório de Chico, mas também a vários momentos passados ao longo da sua longa carreira.

Logo no começo, “Mama África”, uma das suas músicas mais conhecidas, foi cantada por toda a plateia.
Depois de “Tambores”, tocou “Alma não tem cor”, tema composto por André Abujamra. Chico César foi o primeiro a gravar o tema, fazendo com que muitos fãs pensem que a música lhe pertença. “Quase todo o mundo pensa que essa música é minha, e às vezes eu acho que é minha também”, brinca.

Natural da Paraíba, estado do Nordeste brasileiro, Chico César sempre teve muito orgulho nas suas origens. E foi isso que o levou a incluir no seu álbum de estreia uma faixa da autoria do lendário Luiz Gonzaga, que surgiu como um jingle para uma campanha eleitoral. “Eu gravei no Aos Vivos porque eu queria muito dizer de onde eu venho”, explica. Contudo, é retrato das mudanças dos tempos, apresenta-a nesta digressão com uma ligeira mudança. Chico pretende, agora, cantar a “Paraíba feminina” e não a masculina, como a letra original se refere.

Assumidamente de esquerda, Chico César incluiu no alinhamento do concerto o seu tema “Pedrada“, canção onde crítica o fascismo e que pôs o Tivoli a gritar “Fogo nos fascistas”.
Noutro momento, já perto do final, aproveitou para mandar mais uma farpa, ao interpretar “Bom dia Tornezeleira”, numa evidente referência à prisão do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
Na última música, foram vários os que se levantaram dos seus lugares para dançar ao som de “Eu vi mamãe Oxum na cachoeira” e agradecer por um grande concerto que excedeu a hora e meia prevista.

Depois de Lisboa, Chico César ruma agora ao norte do país, para se apresentar na Guarda, em Estarreja e em Vale de Cambra, as últimas paragens em solo luso. O artista brasileiro parte de seguida para a Suíça.














