Projeto integrado de aprendizagem ativa em sala de aula vence maratona de inovação do EPIC em Viana do Castelo
II Hackathon mobilizou mais de 60 participantes e o concurso de ideias premiou um modelo rotativo por equipas de trabalho, com utilização de inteligência artificial e gamificação, para lá da introdução de um sistema diferente de avaliação.
A II edição do Hackathon dinamizado pelo consórcio EPIC – Excelência Pedagógica e Inovação em Cocriação, que reuniu seis equipas e um total de 60 participantes, distinguiu um projeto inovador de aprendizagem ativa, apresentado por um grupo multidisciplinar composto por alunos, técnicos, investigadores e professores das universidades do Minho e Aveiro e dos politécnicos de Leiria e do Cávado e Ave.
Idealizar, criar e aprimorar soluções inovadoras mais estimulantes para aumentar a participação ativa dos estudantes em sala de aula foi o mote do II EPIC Hackathon. E no palco da Escola Superior de Saúde do Politécnico de Viana do Castelo o prémio foi atribuído precisamente a uma solução integrada composta por grupos gerados por um algoritmo digital conjugados com dinâmicas de avaliação colaborativa (peer assessment), com rotação contínua dos elementos pelos postos físicos e utilização de inteligência artificial (para potenciar a pesquisa e a validação) e jogos pedagógicos (analógicos e interativos), rumo à resolução estruturada dos desafios em mãos.

No “relógio de aprendizagem” idealizado por Ana Carolina, Parisa Kharazmi e Rosangela Ventura (da Universidade de Aveiro), Ernesto Lopes (Universidade do Minho), Cláudia Rodrigues (IPCA) e Romain Gillain (IP Leiria), a dinâmica (de uma sala de aula com 50 estudantes, com grupos de 5/6 elementos) prevê uma hora de exposição teórica e duas horas de aplicação teórico-prática (com processos de rotação contínua e trabalho ativo). O resultado é um ecossistema integrado (hardware, software e sistema), em que a transformação do modelo tradicional decorre da rotação das equipas pelas diferentes estações de trabalho, o que fomenta o trabalho de equipa e o espírito crítico. A professora Cláudia Rodrigues, porta-voz da equipa vencedora, augura que “nos tempos mais próximos a forma de lecionar e a forma de aprender vão mudar de forma muito substancial e deste Hackathon saem muitas ideias aplicáveis em contexto de sala de aula, que vão diminuir o absentismo dos alunos”.
No modelo criado pela equipa vencedora, que coloca um foco especial na fundamentação da solução e na apresentação pública dos resultados, a avaliação (contínua) final dos alunos prevê a atribuição de um valor adicional aos alunos que participem ativamente em pelo menos dois terços das atividades. E a monitorização do sistema inclui valoração de fatores motivacionais.
O consórcio EPIC, recorde-se, é constituído pelos Politécnicos de Viana do Castelo, Cávado e Ave e Leiria e, também, as Universidades do Minho, Beira Interior e Aveiro, que em regime colaborativo estão em busca de ideias transformadoras para o Ensino Superior, mormente em contexto de sala de aula, de forma a tornar as sessões letivas mais atrativas para os estudantes.
O júri, que elogiou a qualidade de todos os trabalhos apresentados, tendo decidido por margens mínimas, valorizou parâmetros como a pontualidade, o cumprimento de regras, a clareza, a coerência, a criatividade, a relevância, o impacto e a viabilidade.
A II edição do Hackathon EPIC decorreu ao longo de dois dias, na Escola Superior de Saúde do Politécnico de Viana do Castelo. Na sessão de abertura do evento, que decorreu terça-feira, a professora Ana Paula Vale, vice-presidente do Politécnico de Viana do Castelo, sustentou que “o Ensino Superior entrou definitivamente num novo ciclo de exigência, onde já não basta ensinar, é necessário envolver. Já não basta transmitir, é necessário cocriar. Já não basta avaliar, é necessário transformar”.
Já Carlos Videira, pró-reitor da Universidade do Minho, que copresidiu a abertura dos trabalhos, considerou que a iniciativa prova “que toda a comunidade do Ensino Superior está disponível para sair da sua zona de conforto e construir uma transformação ampla, com novas abordagens”.
Recorde-se de que, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e integrado no Programa Impulso Mais Digital (o qual faz parte do projeto de Inovação e Modernização Pedagógica no Ensino Superior), o EPIC visa promover a transformação e modernização do ensino superior em Portugal, num rumo alinhado com a criação de centros de excelência em inovação pedagógica. Para que os futuros profissionais desenvolvam competências ajustadas aos desafios contemporâneos do setor.



