Os Birds Are Indie editam hoje The Stone of Madness, o sétimo álbum de originais. Em simultâneo, revelam “I Could Laugh”, segundo single do disco.
Depois de Ones & Zeros (2023), um disco voltado para o exterior e para as fraturas do mundo contemporâneo, o trio de Coimbra formado por Ricardo Jerónimo, Joana Corker e Henrique Toscano desloca agora o foco.
The Stone of Madness instala-se num território mais íntimo, onde o conflito deixa de ser colectivo e passa a ser interno: mais difuso, menos explicável e, por isso mesmo, mais persistente.

A abertura faz-se com “Not Today”, o primeiro single, e define o tom desde os primeiros segundos: repetição, tensão controlada, uma pulsação que avança sem nunca se libertar completamente. A caixa de ritmos não é estética, é condição. A sensação de adiamento que a canção transmite é contínua e atravessa o álbum inteiro.
“I Could Laugh” chega de outro lugar. Há uma leveza aparente na superfície, mas o que se instala por baixo é mais denso: um olhar já filtrado pela experiência, onde o distanciamento não significa indiferença, mas consciência. O riso do título chega como a posição que resta depois de uma certa clareza.
Entre estes dois momentos, The Stone of Madness constrói-se com variação e contenção. Em “Useless Effort”, a imagem da flor no deserto fixa uma ambiguidade que não se resolve, nem promessa, nem condenação, apenas permanência sob tensão. “Le Bec dans l’Eau” prolonga a ideia de suspensão, mantendo a canção num território intermédio, sempre em aproximação, nunca em chegada. “Bend” introduz fricção mais física: movimento que implica cedência sem nunca se tornar confortável. “No More Alibis” expõe sem dramatizar. “Twisted Luck” trabalha o desvio, uma ligeira distorção na forma como as coisas acontecem. “Time and Again” insiste, não por hábito, mas por impossibilidade de fechar o que fica em aberto. “When Something Changes” encerra o disco com a única hipótese que o título admite: a mudança como facto, não como promessa.

Ao longo dos dez temas, a diversidade de abordagens, entre electrónica e instrumentação orgânica, entre diferentes registos vocais, nunca se traduz em dispersão. Há uma linha clara, sustentada por uma ideia de controlo que não limita, mas orienta. Como a própria banda resume com a economia certa: “it’s only pop & roll but we like it”.
THE STONE OF MADNESS já disponível em CD, vinil e nas plataformas digitais!
The Stone of Madness (Lux Records)
1. Not today
2. Useless effort
3.I could laugh
4. Le bec dans l’eau
5. Gold and symmetry
6. Bend
7. No more alibis
8. Twisted luck
9. Time and again
10. When something changes
Birds Are Indie ao vivo
The Stone of Madness nasceu em palco, ou mais exactamente, nasceu do que três anos de digressão com Ones & Zeros deixaram sedimentado. A banda incorporou na escrita a energia construída ao vivo antes de a fixar em estúdio. A apresentação do álbum já está em curso: ontem foi no Porto, no Maus Hábitos. Esta noite é em Guimarães, na Blackbox do CAAA.
28 março – Braga, RUM by Mavy
16 abril – Lisboa, BOTA
17 abril – Barreiro, Sala 6
18 abril – Coimbra, Salão Brazil
23 maio – Sabugal, Auditório Municipal
5 junho – Évora, Armazém 8
20 junho – Castelo Branco, Café com Leite
Publicado em 2026.03.28



