Teatro Variedades celebra o seu 100.º aniversário com a estreia, a 8 de julho, do espetáculo VARIEDADES – (…como uma ópera bufa erótica e satírica.), uma produção que estará em cena até 16 de agosto de 2026.
Criado por Fernando Heitor, Flávio Gil e João Paulo Soares, o espetáculo assume a forma de uma peça que revisita a história do Teatro Variedades através de dez personagens assíduas do Parque Mayer – uma varina, um marujo, um ardina, um vendedor de coplas, um cauteleiro, uma menina de barraca de tiros, uma viúva rica, uma escritora, uma costureira e o dono de um restaurante – que se tornam guardiãs das memórias do teatro.
Ao longo de cenas da vida destas figuras, a história do Variedades cruza-se com a do Parque Mayer e da cidade de Lisboa, num registo onde realidade e fantasia se confundem e onde as alegrias e o sofrimento surgem quase sempre em forma de canção.
A opção por personagens-tipo como eixo narrativo nasce da própria identidade do Parque Mayer: “quisemos que a história do Variedades fosse contada por gente encantada e apaixonada pelo Parque e pelos seus teatros”, explica o autor e encenador Fernando Heitor
Mais do que uma evocação histórica, VARIEDADES – (…como uma ópera bufa erótica e satírica.) é descrito por Fernando Heitor como “uma história contada com navalhas, beijos e cantigas onde a ingenuidade e a fantasia se conseguem sobrepor à dura crueza da realidade”, que também se aproxima de “uma fábula sobre os últimos cem anos de Lisboa e de certo modo de Portugal”.
Flávio Gil, coautor e coencenador do espetáculo, sublinha igualmente a importância desse dispositivo: estas figuras representam “algumas das muitas e mais diversas pessoas que por ali passaram nos últimos cem anos”, permitindo que a história do teatro surja como consequência das suas vidas e experiências. Definido como uma “ópera bufa erótica e satírica”, o espetáculo assume uma linguagem híbrida e em construção: “Não é uma revista mas confunde-se com ela. Não é um musical, mas podia ser”, afirma Flávio Gil, acrescentando: “É, sempre, a esperança à beira do abismo. Como a vida.”
Para João Paulo Soares, também responsável pela direção musical, trata-se de um espetáculo “musicalmente vivo e com capacidade de surpreender”, que convoca a memória coletiva através de canções como “Cheira a Lisboa” ou “Zé Cacilheiro”, acrescentando que “a sombra da ditadura e os anos quentes da Revolução trarão algumas surpresas”.
O elenco reúne Bernardo Souto, Bruno Madeira, Carlos Malvarez, Cátia Garcia, Flávio Gil, Maria João Luís, Miguel Raposo, Sandra Rosado, Teresa Zenaida e Wanda Stuart.
A direção musical é de João Paulo Soares, que assume também o piano, acompanhado por Nuno Allan (baixo), Miguel Majer (bateria), Maria João Cunha (acordeão), Henrique Fialho (clarinete) e Eurico Cardoso (viola de arco). A criação artística inclui ainda figurinos de Rafaela Mapril, coreografia de Guilherme Leal, desenho de luz de Paulo Graça e desenho de som de Sérgio Milhano.
O espetáculo tem a duração aproximada de 120 minutos e classificação etária a definir. Os bilhetes já estão disponíveis para venda na BOL, com preços entre os 14€ e os 22€ e descontos aplicáveis a vários públicos.
SINOPSE
Dez personagens assíduas do Parque Mayer, uma varina, um marujo, um ardina, um vendedor de coplas, um cauteleiro, uma menina de barraca de tiros, uma viúva rica, uma escritora, uma costureira e o dono dum restaurante, tornam-se os guardiões das memórias do Teatro Variedades – assistem a todas as estreias, tanto enquanto vivos como depois de mortos. Sabem de cor todas as canções, todos os textos e todos os contextos das peças e da vida dos atores.
Variedades é um musical onde através de cenas da vida destas dez personagens se vai conhecendo a história do Teatro. A realidade confunde-se por vezes com a fantasia, consoante a memória ou até mesmo o desejo de cada um deles.
Aqui as alegrias e o sofrimento surgem quase sempre em forma de canção. Criam um espaço de gente resistente, frontal e livre – embora saibam que esse mundo acaba quando saem do Parque Mayer e chegam à Avenida. Vivem para cuidarem uns dos outros e para serem felizes no Teatro Variedades, quer na plateia quer na teia onde se instalam depois de mortos.
- De Fernando Heitor, Flávio Gil e João Paulo Soares
- Interpretação Bernardo Souto, Bruno Madeira, Carlos Malvarez, Cátia Garcia, Flávio Gil, Maria João Luís, Miguel Raposo, Sandra Rosado, Teresa Zenaida e Wanda Stuart
- Figurinos Rafaela Mapril
- Coreografia Guilherme Leal
- Desenho de Luz Paulo Graça
- Desenho de Som Sérgio Milhano
- Encenação Fernando Heitor e Flávio Gil
- Assistência de encenação André Camilo
- Piano e Direção Musical João Paulo Soares
- Baixo Nuno Allan
- Bateria Miguel Majer
- Acordeão Maria João Cunha
- Clarinete Henrique Fialho
- Viola de Arco Eurico Cardoso
Uma produção no âmbito da celebração do 100º aniversário do Teatro Variedades.
- Audiodescrição 24 e 26 de julho
- Legendagem em inglês e português adaptado (LSE) 16, 23 e 30 de julho, 6 e 13 de agosto
FERNANDO HEITOR nasceu em Lisboa, a 6 de março de 1952. Formado pela Escola Superior de Teatro. Estreou-se como ator em 1971. Em 1976 fez a primeira encenação. Em 1982 começou a trabalhar como dramaturgista e argumentista no teatro e na televisão. Como ator foi dirigido no teatro por Jorge Listopad, Carlos Cabral, Carlos Avilez, João Mota, Ricardo Pais, Angel Facio, Osório Mateus, Filipe La Féria, Jorge Silva Melo e Luís Miguel Cintra. Como ator entrou em filmes de José Álvaro Morais, Paulo Rocha, João Botelho, José Nascimento, Noémia Delgado, Raúl Ruíz, Valeria Sarmiento, Nino Bizanni, Fátima Ribeiro, Margarida Gil, Marta Rocha, Fernando Lopes, etc. Encenou textos de Noel Coward, Marguerite Duras, Tennesse Williams, Jean Genet, Oscar Wilde, Kevin Elyot, Artur Schnitzle, Ernesto Rodrigues, Félix Bermudes, João Bastos e António Boto, entre muitos outros. Já no século XXI, escreveu e encenou três peças: Mário – a história de um bailarino no Estado Novo, Salão Lisboa e A Foz do Mékong.
FLÁVIO GIL nasceu em Torres Vedras, em 1990. Iniciou o seu percurso no teatro amador e cedo se destacou como ator, autor e encenador em várias produções do Teatro Maria Vitória. Como ator, em teatro, foi dirigido por Marina Mota, Filipe La Feria, Carlos Avillez, Diogo Infante e Fernando Heitor, entre outros. Em cinema trabalhou com António Pedro Vasconcellos, Leandro Ferreira e Luís Alvarães e produziu e realizou o documentário “Esta Mulher é um Homem”. Para televisão, gravou Morangos com Açúcar, Rua das Flores, foi responsável artístico do documentário História do Teatro de Revista em Portugal (RTP) e protagonizou Carlitos e Henriqueta (TVI). Mais recentemente, escreveu textos para o TEF e encenou “Se Acreditares Muito” (que coproduziu) e “Julieta e Romeu”, ambos com estreia no Teatro da Trindade. Neste momento prepara a estreia no São Luiz Teatro Municipal de “Da Boca P’ra Fora” que encena e coproduz.
JOÃO PAULO SOARES nasceu no Porto em 1962. Pianista, compositor e diretor musical, desenvolve a sua atividade na área da dança, do teatro e da televisão.
Estreou-se como diretor musical em 1984 na peça de inauguração do Centro de Arte Moderna, “Deseja-se Mulher” enc. Fernanda Lapa. Em 1986 compôs pela primeira vez para teatro na peça “Noites de Anto” enc. Filipe la Féria (Casa da Comédia)”. É autor/diretor musical de espetáculos e programas icónicos como: “What Happened to Madalena Iglesias” enc. Filipe la Féria “Passa por Mim no Rossio” enc. Filipe la Féria (Teatro Nacional D. Maria), “Tropa Fandanga”, enc. Pedro Penim-Teatro Praga (Teatro Nacional D. Maria), “Mário, um bailarino no Estado Novo”, enc. Fernando Heitor (Cinema São Jorge), “Grande Noite” (RTP), Cabaret (RTP), Noite de Reis (RTP) e os especiais RTP 40 Anos – Saudades do Futuro, RTP 50 anos e o documentário “História do Teatro de Revista em Portugal” – direção de Flávio Gil. Trabalhos mais recentes: 2025 – “Perpétuo – Tributo a Carlos Paredes” (Museu do Fado , CCB, RTP), “A Foz do Mekong”, enc. Fernando Heitor (Boutique da Cultura); 2026 – Teatro Experimental do Funchal:“ Voltar a Casa” enc. Élvio Camacho (Teatro Baltazar Dias).



