Modern Nature subiram ao palco da Casa Capitão na sua estreia em Portugal, traziam na bagagem o mais recente longa-duração, The Heat Warps.
Primeiro na Casa Capitão e depois com concerto no M.Ou.Co, no Porto, os Modern Nature, liderados por Jack Cooper na guitarra, Jim Wallis na bateria e Tara Cunningham na guitarra que lhes deu nova dimensão sonora, e sem Jeff Tobias, apresentaram o seu mais recente trabalho.

Um concerto focado e poderoso, assente num diálogo entre duas guitarras e duas vozes que funcionou como uma unidade, criando equilíbrio, tensão e movimento em torno da secção rítmica, apesar de que a sala não ter estado preenchida, como mereciam, os que estivessem presentes não regatearam aplausos e carinho à formação de Cambridge, no Reino Unido.

The Heat Warps, editado em 2025, surge como um despertar criativo e corolário desta metamorfose: retoma temas recorrentes no repertório dos Modern Nature – o colectivismo, a relação com o mundo natural, o peso da consciência –, mas agora de modo frontal e urgente, perante uma realidade cada vez mais confusa, dura e impossível de ignorar.

Gravado num processo intenso que privilegiou a energia do grupo a tocar em conjunto, o último álbum capta a telepatia e a fricção de uma banda no mesmo espaço, com todas as imperfeições e subtilezas que isso implica. Influências como Can, Television, Brian Eno ou até a filosofia de Andrew Weatherall dialogam com reflexões sobre a crise ambiental, a desinformação e a responsabilidade colectiva, sem nunca cair no cinismo. Apesar de lidar com circunstâncias sombrias, The Heat Warps mantém um optimismo lúcido, encontrando beleza, consolo e até uma espécie de “niilismo romântico” no meio do caos.






















