Há artistas que desafiam o tempo, mas José Cid parece simplesmente ignorá-lo.
O icónico músico transmontano, mas de coração universal, subiu ao palco em Almada para um concerto que prometia ser histórico e que acabou por se transformar numa gigantesca celebração transgeracional. Perante uma plateia completamente esgotada e vibrante, Cid provou, aos 84 anos, por que razão ostenta o título de lenda viva da música portuguesa.

O concerto, integrado na programação cultural de início de verão da cidade, atraiu milhares de pessoas de todas as idades. Na assistência, viam-se avós e netos partilhando o mesmo espaço, unidos por uma banda sonora que faz parte do ADN cultural do país. Desde os primeiros acordes, ficou claro que a noite seria de comunhão absoluta.
Uma Viagem no Tempo Cheia de Energia
José Cid entrou em palco com a irreverência e a energia que lhe são características, acompanhado por uma banda exímia que deu uma roupagem robusta e contemporânea aos seus maiores clássicos. Sem precisar de grandes artifícios visuais, o músico agarrou o público logo nos primeiros minutos através do seu carisma inconfundível e de uma voz que mantém uma solidez impressionante.

O alinhamento foi uma autêntica viagem no tempo. Clássicos intemporais como “20 Anos”, “Cai Neve em Nova Iorque” e “A Pouco e Pouco” transformaram Almada num coro monumental, com milhares de vozes a abafar o sistema de som principal. Pelo meio, houve ainda espaço para recordar a sua faceta mais progressiva — um piscar de olho ao lendário álbum 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte —, aplaudido de pé pelos melómanos mais fervorosos.
O Carisma e a Cúmplice Irreverência
Mais do que a música, foi a capacidade de comunicação de José Cid que elevou o espetáculo. Entre canções, o artista partilhou histórias, distribuiu sorrisos, brincou com a sua própria longevidade e lançou as habituais tiradas humorísticas e provocadoras que o público tanto adora.

O momento alto e inevitável da noite deu-se na reta final. Os acordes de “Como o Macaco Gosta de Bananas” e “Favas com Chouriço” transformaram o recinto numa autêntica festa popular, onde ninguém conseguiu ficar indiferente ou imóvel.
Um Legado Mais Vivo do que Nunca
Quando as luzes do palco finalmente se apagaram, o sentimento geral entre o público que abandonava o recinto era de absoluta admiração. José Cid não entregou apenas um concerto de nostalgia; entregou uma performance vibrante, atual e cheia de alma.

O espetáculo em Almada não foi apenas mais uma data na sua longa agenda de concertos de 2026. Foi a prova viva de que o cancioneiro do Cid continua a passar de geração em geração sem perder a frescura. O “Pai do Pop” português passou por Almada e, uma vez mais, deixou claro que o seu reinado está longe de terminar.










































