Integrando o elenco de luxo de um dia dedicado aos grandes nomes da história da música, os UHF subiram ao Palco Music Valley para uma atuação que reafirmou a sua posição como um dos pilares da resistência e da identidade do rock cantado em português.
O Rock in Rio Lisboa transformou-se num palco de celebração geracional. Entre nomes incontornáveis do panorama internacional e nacional, os UHF apresentaram-se perante um público que aguardava a energia crua e a lírica direta que, desde 1978, marcam a trajetória da banda de António Manuel Ribeiro.

O compromisso com a história
A atuação dos UHF no Parque Papa Francisco foi mais do que um alinhamento de êxitos; foi uma demonstração de longevidade. Numa edição que equilibra a inovação tecnológica com o respeito pelo legado, a banda trouxe a sua sonoridade clássica para o sistema de som de última geração do festival, provando que a urgência do rock português não perdeu a sua validade. Para os festivaleiros que ocuparam o recinto, o concerto foi um mergulho na memória coletiva, revisitando canções que se tornaram pedras basilares do rock nacional.

Uma voz entre gigantes
Partilhando o dia com ícones como Rod Stewart, Cyndi Lauper e os veteranos Xutos & Pontapés, os UHF assumiram o papel de cronistas do quotidiano português. A presença da banda no “Legends Day” sublinhou a importância de manter viva a chama da música feita em Portugal no palco principal de um dos maiores festivais do mundo. O concerto destacou-se pela entrega física e pela ligação emocional que a banda estabelece, recorrendo a temas que atravessam gerações de fãs.

Numa edição que se tem caracterizado pelo conforto e pela grandiosidade da produção, os UHF trouxeram a crueza necessária para equilibrar a balança. O concerto terminou com a confirmação de que, apesar da evolução constante da indústria musical e das exigências do público moderno, existe um lugar cativo para as bandas que fundaram as raízes do rock em Portugal. A prestação dos UHF foi, acima de tudo, uma celebração da persistência, deixando no ar a mensagem de que o rock nacional continua a ter uma palavra a dizer nos grandes palcos.
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