Com um carisma que desafia a cronologia e um repertório que é, por si só, a banda sonora de gerações, o cantor britânico transformou a noite na Cidade do Rock num desfile nostálgico de elegância, provando que o talento não tem prazo de validade.
Quando se fala de nomes que ajudaram a construir as fundações do rock moderno, o nome de Rod Stewart é inevitável. Em 2026, a sua passagem pelo Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa não foi apenas um concerto; foi uma aula de mestria sobre como manter a relevância, a energia e a sofisticação num festival que, por norma, aposta na euforia imediata da música contemporânea.

O ritual da voz rouca
Do momento em que pisou o palco, vestido com a sua inconfundível elegância, Rod assumiu o controlo. A sua voz, aquele timbre rouco e inconfundível que marcou o soul-rock desde a década de 1970, soou com uma clareza que surpreendeu até os mais céticos. Não houve truques ou produções excessivas; apenas a banda, a presença magnética do artista e uma sucessão de êxitos que levaram o público de Lisboa a um estado de catarse coletiva.

Um desfile de hinos
O alinhamento foi desenhado para não deixar ninguém indiferente. Desde os momentos mais explosivos — onde o glam rock ainda parece respirar com a mesma urgência de outrora — até às baladas que, ao longo das décadas, se tornaram hinos imortais, Stewart percorreu o seu catálogo com a descontração de quem sabe que cada nota ali tocada faz parte da história da música. “Maggie May”, “Da Ya Think I’m Sexy?” e “Sailing” foram entoadas em uníssono, com o Parque Tejo a transformar-se num coro gigante.

A ponte entre o ontem e o hoje
O que tornou esta noite de 2026 especial foi a capacidade de Stewart de ligar-se a um público tão diversificado. Havia ali fãs de primeira hora, que acompanham o músico desde os Faces, ao lado de jovens que descobriram os seus êxitos através das novas plataformas de streaming. Para todos, Rod Stewart apresentou-se como um artista que se recusa a ser uma peça de museu. Ele continua a ser um performer de topo, alguém que entende que o espetáculo deve ser, acima de tudo, uma celebração.

Ao fechar a sua atuação, com o público a pedir mais, ficou a sensação de que, mesmo com décadas de carreira, Rod Stewart continua a encontrar prazer em estar sob os holofotes. Num festival que olha tanto para o futuro, ter uma lenda deste calibre a comandar o palco foi o lembrete necessário de que, na música, o que é autêntico nunca sai de moda.
Alinhamento
- Infatuation
- Having a Party (Sam Cooke cover)
- It’s a Heartache (Bonnie Tyler cover)
- It Takes Two (Kim Weston cover)
- Forever Young
- The First Cut Is the Deepest (Cat Stevens cover)
- I Don’t Want to Talk About It (Crazy Horse cover)
- Hot Legs
- Maggie May
- I’d Rather Go Blind (Etta James cover)
- Young Turks
- Rhythm of My Heart (Marc Jordan cover)
- Jolene (Dolly Parton cover)
- People Get Ready (The Impressions cover)
- Have I Told You Lately (Van Morrison cover)
- Proud Mary (Creedence Clearwater Revival cover)
- Baby Jane
- Do Ya Think I’m Sexy
- Sailing (The Sutherland Brothers Band cover)
- Love Train (The O’Jays cover)
















