Numa noite que apelava à celebração da música clássica e contemporânea, CeeLo Green subiu ao Palco Super Bock para recordar Lisboa porque é, indiscutivelmente, uma das vozes mais distintas e magnéticas da sua geração. Com uma elegância que cruza o soul, o funk e o pop, o artista transformou a Cidade do Rock numa pista de dança com alma e muito “groove“.
O Rock in Rio Lisboa 2026 recebeu, esta edição, um daqueles artistas que dispensam apresentações, mas cuja presença ao vivo continua a ser um evento obrigatório. CeeLo Green, com o seu estilo extravagante e inconfundível, trouxe a sofisticação da música soul americana para a grandiosidade da Cidade do Rock, demonstrando que, independentemente do tempo que passa, a boa música nunca perde a sua relevância.

O triunfo da versatilidade
Desde o momento em que tomou o palco, CeeLo Green estabeleceu uma ligação imediata com o público. O seu concerto foi uma viagem vibrante pela sua discografia, pontuada por momentos em que a sua voz — poderosa, versátil e carregada de soul — encheu cada recanto do recinto. Alternando entre baladas que tocam a sensibilidade do ouvinte e temas rítmicos que obrigam à dança, o artista mostrou um domínio cénico que apenas os veteranos possuem.
O alinhamento foi construído de forma inteligente, intercalando os grandes êxitos que definiram a sua carreira a solo com momentos de nostalgia que remeteram aos tempos de Gnarls Barkley. Quando os acordes do icónico “Crazy” soaram, o Parque Papa Francisco uniu-se num único coro, confirmando a imortalidade desta composição no imaginário coletivo.

A elegância da performance
Ao contrário de atuações mais focadas em pirotecnia, o concerto de CeeLo Green destacou-se pela musicalidade. Acompanhado por uma banda de luxo, o artista permitiu que os instrumentos respirassem, criando uma sonoridade orgânica que, curiosamente, soou moderna e fresca perante as dezenas de milhares de festivaleiros. A sua performance foi um lembrete de que o pop pode, e deve, beber da fonte do R&B e do funk para ganhar corpo e substância.
O impacto na Cidade do Rock
A inclusão de um nome como CeeLo Green no cartaz deste ano reflete a preocupação do festival em oferecer uma experiência diversificada, equilibrando o fervor da nova geração de artistas urbanos com a qualidade e o peso histórico de artistas consagrados. Para o público, foi um momento de pausa, de desfrute e de celebração pura.

Ao deixar o palco, sob uma ovação que não deixou dúvidas sobre a admiração que o público português nutre pelo seu trabalho, CeeLo Green provou que a sua música não é apenas um produto de estúdio; é uma experiência viva. O artista saiu da Cidade do Rock com a certeza de ter deixado a sua marca numa edição que, acima de tudo, provou que a boa música é intemporal.



























