O icónico palco do Coliseu dos Recreios, no coração da capital portuguesa, vestiu-se de alegria para receber, pela primeira vez em nome próprio, o cantor cabo-verdiano Johnny Ramos.
O espetáculo, que estava agendado para as 21h30, só começou pelas 22h, mas isso não impediu uma das maiores celebrações da música e da identidade dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e da diáspora cabo-verdiana deste ano.

Com uma carreira que ultrapassa as três décadas, o artista nascido em Roterdão, nos Países Baixos, mas com raízes profundamente ligadas a Cabo Verde, trouxe a Lisboa uma fusão autêntica de ritmos que marcaram gerações, como o Zouk, o Ghetto Zouk e a Kizomba.
Durante o concerto, Johnny chamou ao palco dois casais, que resolveram declarar o seu amor em palco, num pedido de casamento. Primeiro, Marco Almeida ajoelhou-se, como manda a tradição, e pediu em casamento a Lúcia. Depois, foi a vez de Carlos fazer o mesmo e, muito emocionado, pedir em casamento a Jafira.

Uma constelação de estrelas em palco
Mais do que um concerto a solo, a noite foi desenhada como uma verdadeira partilha cultural. b não esteve em palco sozinho e fez questão de reunir um elenco de luxo para partilhar este marco histórico na sua trajetória:
- Nelson Freitas e Gil Semedo, dois titãs da música de matriz cabo-verdiana.
- William Araújo e Hilar, fechando um alinhamento que espelha a riqueza e a união da pop lusófona.
”Será uma noite inesquecível, cheia de música, energia e muitas surpresas”, prometeu o artista através das suas redes sociais oficiais nas vésperas do evento.

Mais de 20 anos de sucessos e pontes culturais
Co-fundador da editora Miss Jane Records e fundador da Just Jay Music, Johnny Ramos tem sido um dos grandes embaixadores da internacionalização da música africana de expressão portuguesa. Recentemente, o cantor voltou a dar cartas com o lançamento do tema “Dod na Bo”, em março, e com “Ilusão”, dueto com a artista angolana Jordânia, cimentou o seu papel como uma ponte viva entre diferentes geografias e culturas.

O concerto — com bilhetes a oscilar entre os 30€ e os 50€ — foi planeado para durar cerca de três horas, prevendo-se uma viagem nostálgica e dançante pelos maiores êxitos da sua discografia, combinando baladas românticas com os ritmos acelerados que habitualmente enchem as pistas de dança em Portugal e no mundo.
Para Lisboa e para a vasta comunidade lusófona residente na capital, a estreia de Johnny Ramos no Coliseu representa muito mais do que um concerto: é a consagração de uma carreira resiliente e um tributo ao orgulho e à alma cabo-verdiana.

















































