Valeu o pragmatismo e o instinto matador de Kylian Mbappé que, da marca do castigo máximo, resolveu uma partida marcada pelo antijogo sul-americano e por uma arbitragem altamente contestada.
O Filme do Jogo
O guião da primeira parte foi de sentido único, mas sem nota artística. O Paraguai, fiel à estratégia defensiva extrema que já tinha feito tombar a Alemanha na ronda anterior, montou uma verdadeira muralha e abdicou por completo de atacar — a equipa sul-americana terminou o encontro com uns míseros 108 passes completos. Os comandados de Didier Deschamps assumiram as despesas e controlaram a posse de bola, mas esbarraram constantemente na agressividade paraguaia e na exibição inspirada do guardião Orlando Gill.
O clima aqueceu cedo devido à permissividade do árbitro uzbeque Ilgiz Tantashev. Ao invés de coartar o jogo duro da Albirroja, o juiz acabou por enervar os franceses, admoestando Bradley Barcola logo aos 19 minutos, o que gerou uma onda de indignação no banco gaulês.
Na segunda metade, a insistência francesa acabou por dar frutos. Aos 67 minutos, o recém-entrado Désiré Doué foi derrubado na grande área. Perante a passividade inicial do árbitro, o VAR teve de intervir para corrigir a decisão. Chamado à responsabilidade aos 69 minutos, Kylian Mbappé assumiu a cobrança do penálti e, com enorme frieza, desviou a bola de Gill para assinar o único golo da noite.
Mbappé histórico em noite de “Fato de Macaco”
Com este golo salvador, Kylian Mbappé atingiu a marca dos sete golos na presente edição do torneio, igualando Lionel Messi no topo dos artilheiros mundiais de 2026. Mais do que isso, o camisola 10 tornou-se o primeiro jogador da história a marcar em oitavos de final em três Campeonatos do Mundo consecutivos, cimentando o seu estatuto como lenda viva do futebol internacional.
“Pensavam que vínhamos de fato de gala, mas também sabemos vestir o fato de macaco e jogar sujo quando é preciso”, atirou Mbappé no final do encontro, numa clara alusão ao estilo de jogo do adversário.
A exibição do árbitro Ilgiz Tantashev acabou por ser um dos temas quentes do pós-jogo, ao receber a histórica nota de 1 em 10 pelo prestigiado diário francês L’Équipe, fruto de uma condução de jogo considerada excessivamente permissiva face às constantes paragens e simulações paraguaias.
Garantida a qualificação, a atual vice-campeã mundial vira agora agulhas para o aguardado confronto dos quartos de final contra Marrocos, agendado para a próxima quinta-feira, em Foxborough. Trata-se da reedição da mítica meia-final do Mundial do Catar de 2022, onde os franceses levaram a melhor por 2-0.



