202626.07AgendaFestivais

Orquestra Maré do Amanhã estreia-se no NOS Alive e reforça ligação com Portugal

Fundada pelo filho do maestro português Armando Prazeres, a iniciativa regressa para atuação a 9 de julho, levando ao festival um dos mais reconhecidos projetos de inclusão social através da música no Brasil.

Criada no Complexo da Maré, uma das favelas mais violentas do Rio de Janeiro, a Orquestra Maré do Amanhã (OMA) é hoje uma das mais relevantes iniciativas socioculturais do Brasil dedicadas à democratização do acesso à educação musical. No próximo dia 9 de julho, os jovens músicos sobem ao palco do festival NOS Alive, no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras, trazendo a Portugal um projeto que une excelência artística, inclusão social e transformação através da cultura.

A ligação da OMA a Portugal faz parte da própria origem do projeto. A orquestra foi fundada em 2010 pelo jornalista Carlos Eduardo Prazeres, filho do maestro português Armando Prazeres, uma figura marcante da música clássica no Brasil. Após o sequestro e assassinato do pai, em 1999, no Rio de Janeiro, Carlos Eduardo decidiu transformar a dor em ação social através da música. E justamente na Maré, local onde foi encontrado o carro do maestro, após o crime.

“Quando o meu pai foi assassinado, decidi que a violência não teria a última palavra. A música que ele tanto amava seria o caminho para ajudar a transformar a realidade daquele território. Assim nasceu a Orquestra Maré do Amanhã, para mostrar que o talento pode florescer em qualquer lugar. Basta oportunidade, cuidado e afeto”, afirma Carlos Eduardo Prazeres.

A relação da orquestra com Portugal ganhou ainda maior proximidade nos últimos anos. Em 2023, a OMA esteve no país no âmbito da Jornada Mundial da Juventude, atuando em várias cidades, como Lisboa, Porto, Cascais, Sines e Arouca, sítio em que nasceu Armando Prazeres.  No ano seguinte, na mesma viagem em que a Orquestra Maré do Amanhã teve a oportunidade de apresentar-se ao Papa Francisco, no Vaticano, pela segunda vez (a primeira  havia sido em 2017), o grupo fez um emocionante concerto no Teatro Tivoli, em Lisboa.

Ao longo dos últimos 16 anos, mais de 17 mil crianças e jovens foram impactados diretamente pelas atividades da instituição, que oferece formação musical gratuita a populações em contextos de vulnerabilidade social. Reconhecida em 2023 como Património Cultural Imaterial da cidade do Rio de Janeiro, a OMA desenvolve atualmente atividades em 30 escolas públicas da Maré e mantém, desde 2018, uma sede própria dedicada ao ensino e à prática musical.

A estrutura artística inclui oito núcleos de formação: seis orquestras mirins, a Orquestra Maré do Amanhã e a Camerata Jovem — distinguida como Melhor Orquestra do Brasil em 2019 e 2021 pelo Prémio Profissionais da Música. Além disso, há o programa de iniciação musical em todos os pré-escolares da Maré, um coro infantil e um juvenil e um núcleo de encerramento educativo de preparação para a entrada na faculdade de música e/ou orquestras jovens.

Além do impacto educacional, a Orquestra Maré do Amanhã tornou-se uma presença relevante no cenário cultural brasileiro e internacional. A orquestra realizou digressões pela América do Sul e em países da Europa, participou no Réveillon de Copacabana ao lado da cantora Anitta, perante um público estimado em 2,5 milhões de pessoas, além de integrar o Palco Favela, do Rock in Rio Brasil em 2019, interpretando clássicos do rock brasileiro e internacional.

Impacto social estruturado

Só em 2024, a OMA beneficiou diretamente 4.407 crianças e jovens, numa comunidade com cerca de 140 mil habitantes, o maior complexo de bairros informais do Rio de Janeiro. O projeto promove mais de 3.100 horas anuais de aulas, incluindo violino, viola d’arco, violoncelo, contrabaixo, flauta, canto coral, teoria musical e prática de orquestra, além de concertos pedagógicos e atuações em algumas das mais importantes salas de espetáculo do Brasil.

A instituição desenvolve ainda programas de apoio psicológico e fisioterapia especializada para músicos, considerados pioneiros no Brasil, e aposta cada vez mais na profissionalização dos seus alunos, incluindo formação em inglês e intercâmbios internacionais. Em 2024, cinco jovens participaram num programa académico na University of Missouri, nos Estados Unidos, enquanto o violinista David Vicente encontra-se atualmente em Cremona, Itália — considerada a capital mundial da luteria — onde estuda a construção artesanal de instrumentos de corda.

Infraestrutura sustentável e criação de oportunidades

A sede da Orquestra Maré do Amanhã possui 356 metros quadrados e foi concebida com soluções sustentáveis, incluindo um sistema de captação de água da chuva e produção de energia solar, evitando a emissão de cerca de 1,2 toneladas de carbono por ano.

A instituição gere atualmente 476 instrumentos musicais, dispõe de três viaturas próprias e gera 44 postos de trabalho diretos nas áreas administrativa, pedagógica, de produção e comunicação.

A Orquestra Maré do Amanhã tem como patrocinadora principal e entidade mantenedora a Petrogal Brasil. O projeto conta ainda com o apoio do Santander, State Grid Brazil Holding, Assim Saúde, Sérgio Franco, Parnaíba Transmissora de Energia, Teles Pires Transmissora de Energia, BMTE, Ecoponte e Grupo Urbam.

Orquestra Maré do Amanhã no NOS Alive 2026
Data: 9 de julho de 2026
Local: Passeio Marítimo de Algés, Oeiras

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo
error: Content is protected !!