- Céleste Boursier-Moungenot apresenta uma das suas obras mais emblemáticas naquela que é a sua primeira exposição em Portugal
- O visitante é convidado a percorrer uma sala preenchida por vinte guitarras elétricas tocadas por 100 diamantes-mandarim
O artista francês Céleste Boursier-Mougenot apresenta no MAAT Gallery (Galeria 1) uma das suas obras mais icónicas: from here to ear v.26.
Numa área aproximada de 500 m², o visitante é convidado a percorrer uma sala preenchida por vinte guitarras elétricas tocadas por 100 intérpretes pouco usuais: pequenas aves – diamantes-mandarim – que ao pousarem e interagirem livremente com os instrumentos produzem sons amplificados. O resultado é uma paisagem sonora imersiva onde convivem sons naturais e artificiais.
“Enquanto compositor, Boursier-Mougenot cria estruturas sonoras no espaço que, funcionando como partituras físicas, fazem a sua música ganhar vida naturalmente no domínio das artes visuais. (…) Ao integrar o vivo na instalação, o espaço torna-se um ecossistema onde o visitante se vê como o elemento circundante de um estado natural desconhecido: uma sociedade de pássaros músicos com necessidades, uma vida comunitária, rituais de sedução dos quais gostamos de supor que a música é a expressão imediata. O visitante faz parte da partitura”, explica o curador François Quintin, diretor do museu de arte contemporânea Collection Lambert, em Avignon, França.
Céleste Boursier‑Mougenot apresentou a primeira versão desta obra em 1995. Desde então, e com algumas adaptações aos diferentes contextos expositivos, From here to ear foi apresentada em instituições como o Copenhagen Contemporary (Dinamarca), Museu de Belas Artes de Montreal (Canadá), Centre d’Art Contemporain Yverdon-les-Bains (Suíça) e Hangar Bicocca (Milão, Itália), entre outras. No MAAT apresenta a 26ª versão da obra. “As instalações de Céleste Boursier-Mougenot nunca estão verdadeiramente terminadas, uma vez que cada apresentação é encarada pelo artista como uma nova composição”, descreve François Quintin.
A convite do artista, a videógrafa Enna Chaton apresenta uma seleção de filmes. Cúmplice de longa data de Boursier‑Mougenot, Chaton filma performers nus que passeiam pelo espaço em algumas das suas instalações anteriores, em Nantes, Copenhaga, Paris ou Veneza. Esta seleção, com o título “errances”, é apresentada em três projeções como uma composição auditiva e visual aleatória.
A exposição abre ao público no dia 8 de julho e pode ser visitada até ao dia 31 de agosto.
Bio do artista
Céleste Boursier-Mougenot (Nice, 1961) iniciou a sua carreira como compositor, vindo posteriormente a conquistar reconhecimento internacional pelas suas instalações acústicas, que recorrem à natureza e aos ritmos da vida quotidiana para explorar a relação entre som, espaço e movimento. Boursier-Mougenot representou França na 56.ª Bienal de Veneza, em 2015, e realizou exposições individuais em instituições culturais internacionais entre as quais a Bourse de Commerce – Pinault Collection, em Paris (2025); o Musée des Beaux-Arts de Montréal (2015); o Centre Pompidou-Metz (2015); o Barbican Centre, em Londres (2010); o Hangar Bicocca, em Milão (2011); a Maison Rouge, em Paris (2010); a Pinacoteca do Estado de São Paulo (2009); e o FRAC de Reims (2008). O seu trabalho integra colecções como a do Centre Pompidou, em Paris; da National Gallery of Victoria, em Melbourne; do Israel Museum, em Jerusalém; do Museum of Contemporary Art San Diego; do Fonds National d’Art Contemporain, em França; bem como diversas coleções nacionais francesas. A par do MAAT, tem atualmente patente a instalação Clinamen no Park Avenue Armory, em Nova Iorque.
Os diamantes-mandarim no espaço
Os cem mandarins-diamante apresentados na instalação foram criados em Portugal por um criador especializado. Esta espécie foi selecionada pela sua natureza muito social e pela sua forte e rápida capacidade de adaptação a novos ambientes. O grupo é composto por 50 machos e 50 fêmeas, que passaram por um período de aclimatação ao espaço e às suas condições antes da abertura da exposição ao público.
Durante todo o período da exposição, o ambiente da instalação será cuidadosamente controlado. O bem-estar e a higiene das aves são assegurados diariamente por uma equipa especializada, responsável pela alimentação, limpeza e monitorização do seu estado de saúde. A apresentação cumpre integralmente todos os requisitos legais e regulamentares aplicáveis a este tipo de projeto, de acordo com as orientações das autoridades competentes. No final da exposição, as aves regressarão ao criador de origem, garantindo a continuidade de condições de vida adequadas.
MAAT com horário alargado e entrada reduzida em julho e agosto
Até 28 de agosto, o MAAT estará aberto às quintas e sextas-feiras até às 21h. Nesses dois dias, a partir das 19h, além de duas horas extras para visitar as exposições, os visitantes têm 50% de desconto na entrada do museu. Mais informações.
Publicado pela primeira vez em 2026.07.07, será republicado até à data do evento/espectáculo.



