O lendário guitarrista dos Rolling Stones transformou o Coliseu dos Recreios numa verdadeira celebração da história da música contemporânea, percorrendo clássicos, blues e memórias de uma carreira ímpar.
Há nomes cuja simples menção evoca a própria espinha dorsal da história do rock ‘n’ roll, e Ronnie Wood pertence incontestavelmente a essa estirpe lendária.

Na noite desta segunda-feira, 14 de setembro, o icónico guitarrista dos Rolling Stones subiu ao palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, para um concerto memorável que transcendeu a mera atuação ao vivo, convertendo-se numa vibrante retrospetiva de sessenta anos de criação e paixão musical.

A caminhada que o trouxe até esta noite na capital portuguesa teve início há mais de seis décadas. Tinha Ronnie Wood apenas 14 anos quando os irmãos lhe colocaram nas mãos a primeira guitarra acústica — um gesto inaugural que traçaria o destino de um dos músicos mais influentes das últimas gerações.

Desde a energia inicial dos The Birds ao virtuosismo no Jeff Beck Group e à consagração definitiva com os Faces, onde firmou a sua identidade enquanto guitarrista de exceção, Wood edificou uma linguagem sonora inconfundível.
Mesmo quando a sua integração nos Rolling Stones em 1975 o elevou ao estatuto de pilar fundamental do som de uma das maiores bandas do planeta, a sua inquietude criativa nunca esmoreceu.

Paralelamente ao percurso no supergrupo The New Barbarians e ao catálogo mítico com os Stones, Ronnie ergueu uma sólida carreira a solo iniciada ainda nos tempos dos Faces, com os aclamados álbuns I’ve Got My Own Album To Do (1974) e Now Look (1975) — obras históricas que contaram com a cumplicidade de mestres como George Harrison, Rod Stewart, Bobby Womack e os seus inseparáveis companheiros Keith Richards e Mick Jagger.
O espetáculo no Coliseu de Lisboa surge no encalço do lançamento de FEARLESS: THE ANTHOLOGY 1965–2025, editado no ano transato para assinalar seis décadas de percurso artístico e que inclui quatro composições inéditas, entre as quais a celebrada “You’re So Fine“.

O alinhamento da noite refletiu com rigor e generosidade essa vasta antologia, abrindo com a eletrizante “It’s Only Rock ‘n’ Roll (but I Like It)” e viajando com mestria entre reinterpretações de clássicos do blues e do R&B — de Willie Dixon a Aretha Franklin —, momentos de cumplicidade acústica e hinos eternos como “Ooh La La” e “Can’t You Hear Me Knocking“.
No encore, uma demolidora sequência de medleys culminou com a catártica “Stay With Me”, deixando o público lisboeta rendido à vivacidade intacta de um verdadeiro fora-de-série.

Alinhamento do Concerto (Setlist) — Coliseu de Lisboa (14/09/2026)
- It’s Only Rock ‘n’ Roll (but I Like It) (The Rolling Stones)
- Am I Grooving You (Freddie Scott cover)
- Take It Easy (Hopeton Lewis cover)
- Flying (Faces)
- Hey Negrita (The Rolling Stones)
- Seven Days (Bob Dylan cover)
- Remember (Walking in the Sand) (The Shangri‐Las cover)
- You’re So Fine (The Falcons cover / Tema da nova antologia)
- Baby What You Want Me to Do (Jimmy Reed cover)
- Show Me (Original a solo)
- Mystifies Me (Original a solo)
- River Deep, Mountain High (Ellie Greenwich cover)
- Country Honk (The Rolling Stones)
- Chain of Fools (Aretha Franklin cover)
- Boogie Disease (Doctor Ross cover)
- Spoonful (Willie Dixon cover)
- Ooh La La (Faces)
- Can’t You Hear Me Knocking (The Rolling Stones)
- Outlaws (Original a solo)
Encore:
- Medley: Dust My Broom / Black Limousine / Plynth (Water Down the Drain) / Gasoline Alley
- Stay With Me (Faces)




















































