A dura e crua realidade da emigração portuguesa no Reino Unido chega ao ecrã da televisão pública já no próximo dia 29 de setembro, às 22h45.
Assinada por Marco Martins, a minissérie de três episódios — transmitidos de seguida na RTP — adapta e expande o universo da longa-metragem homónima, nascida de um denso processo de investigação que acompanhou as transformações sociais e políticas marcadas pelo Brexit e pela pandemia.

A narrativa fixa-se em outubro de 2019, na vila costeira de Great Yarmouth, em Norfolk — um antigo refúgio balnear da classe trabalhadora inglesa, hoje votado ao abandono e marcado por uma das taxas de desemprego mais elevadas do país. É neste cenário de decadência que centenas de cidadãos portugueses continuam a aportar, iludidos por promessas de estabilidade financeira, acabando enredados numa espiral de precariedade nas fábricas de processamento de peru da região.
No centro da trama está Tânia, numa interpretação soberba de Beatriz Batarda. Conhecida como a “Mãe dos Portugueses”, a ex-operária lidera agora uma rede de angariação e contratação de mão de obra barata. Entre o sonho de obter a cidadania britânica para converter os decadentes hotéis da marginal em residências sénior e a cumplicidade na exploração brutal dos seus conterrâneos — a quem são confiscados os passaportes à chegada —, Tânia personifica as ambiguidades do oportunismo e da sobrevivência.

O delicado equilíbrio deste ecossistema cliva-se com o homicídio de um trabalhador português, espancado após falhar o pagamento do alojamento. A chegada do irmão da vítima (Nuno Lopes) desencadeia uma reação em cadeia que altera irrevogavelmente a dinâmica entre as personagens e acelera a narrativa para um desfecho imprevisível.
Com um elenco de excelência que reúne nomes como Kris Hitchen, Robert Elliot, Romeu Runa, Rita Cabaço e Hugo Bentes, ao qual se junta a própria população local, Great Yarmouth: Provisional Figures é uma coprodução internacional encabeçada pela Uma Pedra no Sapato. Mais do que um retrato sobre a diáspora, a obra afirma-se como um olhar rigoroso sobre as assimetrias do trabalho contemporâneo e o custo humano da marginalização laboral.
Cinema NOS no Centro Comercial Colombo
Classificação: ★★★★☆ (4/5)



