- O que existe para lá da nossa escala humana de tempo e espaço?
- Tornar-nos-emos um único ser colectivo, quando ultrapassarmos as barreiras biológicas que nos conferem individualidade?
Depois de estrear o núcleo musical, intitulado The Concert Cut, na última edição do Festival Iminente, Pedro Melo Alves transporta finalmente ΞllllllΞ [lido “imm”] para uma outra dimensão.
É no Museu de Arte Contemporânea de Serralves que, a 18 de outubro, o compositor e baterista apresenta, pela primeira vez, a esfera completa deste seu novo projecto transdisciplinar que pretende responder a um velho impulso humano: ultrapassar os nossos próprios limites.
Através de um espectáculo multimédia complexo, intrigante e metafísico, ΞllllllΞ reúne música, tecno-performance e artes digitais num único sistema performativo para interrogar as fricções entre a alta cultura, o pop mainstream, os movimentos urbanos e as suas raízes ancestrais.
Em Serralves, a experiência mergulha numa atmosfera imersiva de 360º na qual convivem quatro músicos, uma equipa de artistas multimédia, um performer e o público, que é convidado a circular e escolher a sua perspectiva dos acontecimentos. Como uma arquitectura aberta e singular de eventos e de significados irrepetíveis, o palco abre-se, também, à discussão ontológica contemporânea, baseando-se em pesquisas sobre transhumanismo e pós-humanismo crítico.
Pedro Melo Alves, na bateria e electrónica, Mariana Dionísio, na voz e electrónica, e João Grilo e José Diogo Martins, ambos no piano e na electrónica, colidem música contemporânea, jazz de vanguarda, electrónica abstracta, clubbing experimental, pop, hyperpop e beats urbanos em busca de pontos de contacto no meio destes universos aparentemente distantes. Ao seu redor, um ecossistema personalizado e tecnologicamente inovador mune-se de sensores, controladores e câmaras para registar todos os gestos e traduzi-los em vídeo, luz e som, criando um espaço híbrido e dinâmico entre humano e máquina e entre decisões predeterminadas e em tempo real da cultura pós-internet. Nessa mescla que dança com os sentidos, junta-se um performer que recebe instruções em directo para desafiar e expandir os resultados filosóficos da narrativa de ΞllllllΞ. Com o objectivo de, em cada apresentação, o projecto acolher um artista local para alimentar uma obra de composição contínua, no Museu de Serralves participa Vera Mantero. Porém, não é só o convidado que é instigado a expressar opiniões ao vivo como expansão do seu corpo performático. Também o público pode intervir na viagem através de recursos tecnológicos desenhados para gerar um domínio meta-humano que expõe e questiona a nossa capacidade de tomada de decisão. Estas interacções sucessivas com o público e performers transformam o espectáculo numa construção viva que evolui e se reinventa organicamente.

No total, ΞllllllΞ desenvolve-se a partir de uma equipa internacional de 18 artistas e programadores especializados na investigação de novas práticas artísticas cuja missão é reflectir sobre uma sociedade hiperconectada e veloz, em conflito com a realidade, a condição humana e o futuro.
A 18 de outubro, às 18h30, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Pedro Melo Alves dirige um espectáculo transcendente que o volta a confirmar como um dos mais extraordinários artistas da actualidade.
Bilhetes já disponíveis em serralves.byblueticket.pt, no valor de 7,50€ (estudantes/jovens, maiores de 64 anos e amigos de Serralves: 3,75€).
ΞllllllΞ vai sempre mais além ao integrar a dimensão ampla de ΞllllllΞ:MATER [lido “imm máter”], uma plataforma de criação pós-humanista, idealizada pelo compositor, baterista e também investigador, que se expande num espaço activo de reflexão com ensaios e debate público sobre os seus temas principais, numa galeria continuum de arte online e física dos objectos visuais e filosóficos do projecto e numa incubadora de artistas contemporâneos e emergentes de novos media.
O mais recente desafio de Pedro Melo Alves estabelece uma rede de parcerias com instituições como o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, o MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, as Carpintarias de São Lázaro, o Festival de Artes Urbanas Iminente, a ZABRA – Posthuman Art Research Center, o LuxFrágil, a Lovers & Lollypops e o GrETUA – Grupo Experimental de Teatro.
SOBRE PEDRO MELO ALVES
Pedro Melo Alves é compositor e baterista, com um percurso que atravessa a composição, a improvisação e a música electrónica e experimental. A sua prática estende-se da escrita para pequenos e grandes ensembles à criação para cinema, teatro e dança, explorando continuamente novas possibilidades entre instrumentos acústicos, electrónica e percussão.
Tem desenvolvido trabalho em projectos como Omniae Large Ensemble, The Rite of Trio, Memória de Peixe, Luís Vicente Trio e Surma, afirmando uma linguagem marcada pelo cruzamento de territórios e pela procura de novas formas de composição e performance.
Descrito pela revista francesa Citizen Jazz como “eclético, esteta e inventivo”, Pedro Melo Alves leva agora essa investigação para uma nova escala com ΞllllllΞ, reunindo música, artes digitais, tecnologia e performance num mesmo sistema de criação.
ΞIIIIIIΞ | FICHA TÉCNICA
- Pedro Melo Alves direcção artística e composição | bateria e electrónica
- José Diogo Martins piano e electrónica
- João Grilo piano e electrónica
- Mariana Dionísio voz e electrónica
- Vera Mantero convidada especial
- Francesc Sòria Castellet arte digital e video design
- Daniele Imani Nobar arte digital e video design
- Bárbara Pedro Paixão video design
- Filipe Baptista video design
- Ângela Bismarck direcção de arte e light design
- Diogo Mendes direcção técnica e light design
- Filipe Louro sound design
- Bruno José Silva set design
- Rodrigo Constanzo audio software
- Serafim Mendes design gráfico
- Rafael Gonçalves website
- Jonathan Uliel Saldanha consultor artístico
- Mariana Vitale produção
- Mariana Sá Marques produção
- this is ground control imprensa
- Casota Collective lançamentos vídeo
- Apoio: Direção-Geral das Artes (DGArtes)



