Produções nacionais e internacionais continuam a marcar a programação da 17.ª edição, que reflete sobre o medo através do humor.
A 17.ª edição do Festival Internacional de Teatro É-Aqui-in-Ócio avança para os últimos dias, mas até sábado ainda são vários os momentos que vão deixar o público a “rir do medo”. Hoje, às 21h45, a sessão será de cinema, no Cine-Teatro Garrett, com a exibição do filme “Persépolis”. As peças “La Fortuna de estos tiempos” e “O 25 de abril nunca aconteceu” fecham o Festival, que acolheu um total de 13 espetáculos, entre produções nacionais e internacionais.

A vida de Marjane Satrapi passa hoje no grande ecrã com “Persépolis”. O filme, que parte de quatro livros de banda desenhada, dá a conhecer a história de uma menina que cresce no Irão durante o período da Revolução Islâmica e que, apesar das proibições, consegue descobrir a cultura punk, os Abba ou os Iron Maiden. Através do humor, o filme, que se apresenta numa versão restaurada em 4K, explora a ignorância e intolerância, assim como as pessoas que continuam a lutar contra as suas consequências.
Companhia sediada em França apresenta-se em sala e no espaço público
A companhia recém-criada Filaromus chega à Póvoa de Varzim para apresentar o seu teatro político e multilíngue, através do espetáculo “La fortuna de estos tiempos”. Entre castelhano – com algumas incursões pelo italiano, galego, bergamasco e grego –, a peça explora a história do perverso conde francês Philippe d’Anjou, que aguarda a chegada da sua jovem esposa, que ele nunca conheceu. Na sexta-feira, o espetáculo apresenta-se no Cine-Teatro Garrett, às 21h30, seguindo depois para o Parque Verde de Balasar, onde terá uma récita no sábado, às 16h00, de acesso gratuito. As récitas contam com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.

O último dia do Festival desafia o público a refletir sobre “como seria Portugal se o 25 de Abril não tivesse acontecido”. A partir desta premissa, o Teatro da Palmilha Dentada sobe ao palco do Cine-Teatro Garrett, às 21h30, com uma ficção distópica, que acompanha a vida de uma família num mundo onde o país ficou para trás e que presta homenagem às menores e menos evidentes conquistas de Abril.
Até sábado, está também patente a exposição “Império do Medo – Escravatura, racismo e novas servidões”. Refletindo a temática do medo que orienta a programação desta edição do É-Aqui-in-Ócio, a mostra tem curadoria de Ana Calçada e evoca aspetos essenciais do tráfico negreiro, sensibilizando para os impactos que ainda se fazem sentir no presente.
Programação completa: varazimteatro.org



