Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

  • Universidade de Coimbra desenvolve tecnologia de IA para reconhecer emoções na música

    Uma equipa de investigadores do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), está a desenvolver novas tecnologias de Inteligência Artificial (IA) capazes de identificar automaticamente as emoções presentes na música, combinando análise do áudio e das letras das canções.

    O trabalho é realizado no âmbito do projeto MERGE – Music Emotion Recognition: Next Generation, coordenado por Rui Pedro Paiva, docente da FCTUC, e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia com um orçamento de 196 mil euros. A equipa inclui os investigadores Matthew Davies, Pedro Lima Louro, Renato Panda, Ricardo Malheiro e Ricardo Santos.

    O objetivo é melhorar os sistemas que permitem classificar música de acordo com a emoção que transmite, funcionalidade cada vez mais relevante em plataformas de streaming.

    Segundo Rui Pedro Paiva, “o projeto MERGE pretende dar um salto na investigação nesta área, combinando áudio e letra das músicas para criar sistemas capazes de classificar emoções automaticamente, utilizando inteligência artificial, processamento de sinal de áudio e linguagem natural.”

    Uma das principais inovações é a abordagem bimodal, que integra dados do áudio e da letra, permitindo extrair descritores musicais relacionados com ritmo, tonalidade, expressividade e percussão. O projeto inclui também novas bases de dados públicas de música anotadas emocionalmente, fundamentais para robustecer a investigação nesta área.

    Entre os resultados já obtidos está um protótipo de aplicação que posiciona cada música num “mapa emocional” com dois eixos: valência (emoções positivas ou negativas) e ativação (intensidade emocional). Isto permite criar playlists personalizadas ou explorar música conforme o estado de espírito do utilizador.

    Além do avanço científico, o projeto pretende demonstrar estas inovações através de uma aplicação autónoma e uma plataforma web, contribuindo para o desenvolvimento de sistemas mais precisos e úteis em Music Emotion Recognition.

    O MERGE representa um avanço significativo num campo multidisciplinar que combina informática, ciência de dados, psicologia musical e inteligência artificial, com potencial impacto em bibliotecas musicais digitais, plataformas de streaming e novas formas de interação com música.

    O projeto contou ainda com a contribuição significativa do estudante de doutoramento Tiago Ribeiro e de vários estudantes de mestrado que participaram no desenvolvimento do trabalho científico, entre os quais Alice Mangara, Hugo Redinho, Guilherme Almeida, Guilherme Branco, Luís Seco, Mariana Paulino, Pedro Sá, Samuel Machado, Simone Chieppa, Tiago Ribeiro e Tomás Ferreira.

  • Estudo mostra que a preferência das aves por frutos raros é importante para a manutenção da biodiversidade

    Um estudo internacional, liderado pelo Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), concluiu que a preferência das aves frugívoras por frutos raros desempenha um papel fundamental na manutenção da diversidade de plantas.

    Com base em dados recolhidos de forma sistemática, ao longo de 12 anos, numa floresta em Coimbra, investigadores das universidades de Coimbra, Porto (Associação BIOPOLIS) e Córdoba (Argentina) analisaram de que forma a composição nutricional e energética dos frutos e a densidade de outras plantas influenciam as escolhas alimentares das aves e os serviços que estas prestam na dispersão de sementes.

    Os resultados, publicados hoje na revista científica Current Biology, mostram que as aves frugívoras preferem frutos raros, com características nutricionais mais distintivas em relação à vizinhança. Os especialistas verificaram, ainda, que as plantas beneficiam da proximidade de outras plantas com frutos, uma vez que assim conseguem atrair mais aves dispersoras de sementes para a mesma área.

    «Esta preferência que as aves têm para comer frutos raros e dispersar as suas sementes mostra a importância das interações entre as espécies para a diversidade das plantas», considera Guadalupe Peralta, primeira autora do estudo e investigadora do Instituto Multidisciplinario de Biología Vegetal, CONICET, da Universidad Nacional de Córdoba.

    A investigação fornece a primeira evidência empírica de que a tendência das aves para complementarem as suas dietas com nutrientes e frutos raros é um mecanismo importante para favorecer a dispersão de sementes das espécies localmente raras, contribuindo assim para a manutenção da biodiversidade vegetal à escala regional.

    «É extraordinário que o simples facto de as aves tentarem diversificar a sua dieta, consumindo os frutos mais raros e estranhos que encontram, ajude essas plantas a não serem eliminadas por outras mais comuns e competitivas. Num certo sentido isto faz das aves as defensoras dos fracos e oprimidos na natureza e zeladoras da biodiversidade», realça Ruben Heleno, professor do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC e investigador do CFE.

    O artigo científico “Locally unusual fruit compositions drive rare-biased seed dispersal” está disponível aqui.

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