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O primeiro microcinema em portugal, nahmetiq, é inaugurado este sábado

no atelier do artista Fernando Gaspar

A partir de 1 junho, na região centro, nasce o Nahmetiq, um microcinema que promete trazer na sua programação um lugar para o cinema experimental e independente, que se encontra na margem dos circuitos e lógica da distribuição comercial de cinema em Portugal.

O Nahmetiq, fundado por Adélia Vasques, Fernando Gaspar (artista plástico) e Henrique Vilão (artista multidisciplinar), funcionará no atelier de Fernando Gaspar, tem capacidade para 25 pessoas e a programação tem a curadoria de Henrique Vilão. É o primeiro a abrir em Portugal e segue a tradição que nasceu nos anos 1990 de contra-corrente à distribuição de cinema em grande escala, alguns dos mais conhecidos e reputados microcinemas a nível mundial são por exemplo o Spectacle, em Nova Iorque (EUA), o La Lumiére Collective, em Montreal (CAN), entre outros.

O movimento do microcinema floresceu na América do Norte como resultado do encerramento de galerias de arte multimédia e também dos cortes nos apoios públicos aos cineastas experimentais por parte de museus e outras instituições ligadas à arte. Segundo os organizadores, “Desde o primeiro momento em que tomámos contacto com o movimento do microcinema sentimos muita vontade de trazer esta forma de exibição alternativa para Portugal, uma vez que se relaciona de uma forma muito profunda com as nossas práticas e interesses artísticos.”

Dito isto, exatamente o que é um microcinema? Na perspetiva da equipa de artistas fundadora, é fundamental destacar alguns fatores: a abordagem do-it-yourself (diy), um espaço de exibição com dimensões reduzidas (geralmente com muitas adaptações), um orçamento inexistente ou diminuto, programadores/organizadores dedicados e apaixonados pela causa, sentido de missão virada para a comunidade local, cinefilia partilhada e exibição de obras raras e com propostas de linguagem alternativas ao que podemos designar por cinema representativo narrativo e industrial.

É ainda relevante mencionar uma outra dimensão da prática do microcinema – a criação de uma plataforma para ideias e outras artes. Isto porque é uma prática que acaba por estimular um espectador ativo a criar pensamento e discurso sobre os filmes. No fundo, existe aqui uma espécie de ligação entre o espírito e o legado de espaços como o Filmmakers Cinematheque de Jonas Mekas ou a Factory de Andy Warhol.

O Nahmetiq abre assim portas pela primeira vez já este sábado, dia 1 de junho, pelas 17H00, com a exibição de dois filmes do realizador português de cinema experimental Vasco Diogo, “Paint on Paint # 1-8” e “Anima #1”. Esta sessão inaugural pode receber até 25 pessoas, terá a apresentação dos fundadores Adélia Vasques, Fernando Gaspar e Henrique Vilão, contará com a presença do realizador Vasco Diogo e é a primeira do primeiro microcinema português.

A entrada no Nahmetiq é gratuita e as reservas podem ser feitas através de mensagem privada pelo instagram (@nahmetiq) ou e-mail para nahmetiq@gmail.com.

A programação será a partir de agora anunciada através das redes do cinema (@nahmetiq).

nametiq paint
Frame “Paint on Paint #1-8”

Sinopse “Paint on Paint #1-8”:
Uma compilação de 8 filmes de animação experimental digital realizados entre julho de 2020 e outubro de 2021 num regime de desenho intenso, regular (muitas horas de desenho por dia ao longo de muitos meses que resultaram em milhares de desenhos individuais) e por vezes obsessivo. O contexto da pandemia marca a totalidade do filme pelas ideias de contaminação e insight. Cada filme explorou um determinado modo de desenho relativo ao tipo de pincéis, tinta ou cor, emulando técnicas analógicas de pintura e desenho. Foi proposto a vários jovens músicos e sonoplastas produzirem uma banda sonora para cada um dos primeiros sete filmes assumindo o próprio Vasco Diogo a composição da música no último filme da série, que reúne e mistura imagens dos sete filmes precedentes. A combinação das imagens, essencialmente abstratas e bidimensionais, com o som, produz relações de sinestesia onde a perceção equivale a conceitos de colisão e imersão, numa experiência audiovisual de confronto com a resistência do espectador, que se pretende capaz de ativar interpretações e sensações subjetivas e interiores.

nametiq anima
Frame “Anima #1”

Sinopse “Anima #1”:
Esta animação experimental e abstrata segue a estrutura de uma música hip-hop e mistura várias técnicas digitais de desenho e pintura à mão. Estilisticamente propõe uma alternância entre a continuidade e a colisão de frames.

Confirme sempre junto da sala de espetáculos ou promotor as condições de acesso, confirmação da data ou horário, local de venda dos bilhetes, preço e disponibilidade.

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