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“Passo Forte” de SAL chega hoje

Concerto de apresentação no Maria Matos a 16 de Novembro

O disco de estreia dos SAL, “Passo Forte”, é editado a 29 de Outubro. O álbum foi preparado durante o último ano e meio e revela um som poderoso que transporta o ADN dos seus elementos: uma banda rock com uma sonoridade requintada que mistura as raízes da música tradicional com um lado mais electrónico e contemporâneo. Ou não fosse ela formada pelos experientes Sérgio Pires (voz e braguesa), João Pinheiro (bateria), Daniel Mestre (guitarras) e João Gil (baixo), todos ex-Diabos na Cruz, e Vicente Santos (teclas).

Todos nós nos encontramos, pelo menos uma vez na vida, num ponto em que temos mais medo de sair do que ficar. Quão fácil é ficarmos acomodados à doce rotina, ao conforto do expectável, ao sustento garantido, à espera que lá fora a pandemia desapareça e que o populismo se esgote.

O que fazemos a partir desse momento é aquilo que nos define. É o que vai dar sentido a tudo o que vivemos e que temos por viver, à forma como seremos recordados, às pessoas pelas quais seremos estimados, à inspiração que podemos ser e ao amor que podemos dar.

O processo, esse, é mais complicado. Por vezes é preciso “Morrer” para encontrar a nova forma de viver, sobreviver à purga, encontrar uma nova voz que seja capaz de dizer aquilo que dói, mas também aquilo que vai curar.

A partir daí, é preciso encontrar o passo certo para ir à procura da felicidade, de, em família, encontrar uma nova identidade, ou a própria que sempre lá esteve, mas presa numa jaula a fazer sempre os mesmos truques, num circo “Lynchiano”.

Esta é uma banda que sente, que se sente à flor da pele em cada canção, seja o nervo de quebrar uma rotina, da ansiedade que nos consome ou de um populismo que vai ganhando expressão mas que de novo tem muito pouco.

De uma pandemia para a outra, “Não Vale Chorar” pela distância que nos separa, mas por aquela que nos une, o abraço da solidariedade, dessa família que se juntou para cantar durante o distanciamento obrigatório e do amor fraterno de se voltar a juntar.

Família, aliás, é o que não falta neste disco. O amor fraterno dos elementos de SAL é claro que nem água, mas há espaço para todos aqueles e aquelas que arrancam um “Sorriso Sol” a cada um deles, seja no meio do “Fim do Mundo”, seja a dar a mão num “Mal Antigo”. Há sangue, suor e lágrimas nas letras de SAL, e por mais peripécias que tenham que passar, há sempre um momento de encontro, seja espiritual, ao lado d’”A Semente e do Pastor”, seja fantasmagórico no confronto d’”O Caçador” ou dos medos ulteriores “Do Que é Feito Este Chão”.

A vida sem SAL não tem sabor, o mesmo que dizer que a música popular sem a componente de intervenção também não tem sentido e por isso, não podia faltar essa luta que é embandeirada em arco no hino de uma geração que fecha o disco.

“Não Sou da Paz” é uma reflexão sobre uma palavra que não tem fim, que é uma constante da luta da condição do ser humano, é uma palavra que só descansa quando se deita num caixão. É uma manifestação de intenções de uma luta que tem que ser nossa e que os SAL trazem em cada canção. Canção essa que está mais próxima de cada um de nós, do que o SAL que sai do nosso corpo em forma de água.

Sonoramente, a banda de Sérgio Pires (voz e braguesa), João Pinheiro (bateria), Daniel Mestre (guitarras) e João Gil (baixo), todos ex-Diabos na Cruz, e Vicente Santos (teclas), demonstra como a música popular portuguesa, traduzida nos adufes, na braguesa ou no acórdeão, se exulta com as guitarras dos anos 90 e que navega pelo drone ao mesmo tempo que invoca o medieval ou o ocidental.

A capacidade em criar tonalidades através das melodias de piano, quer sejam de um piano perdido ou de um harmónio eléctrico, mostra que estes 5 lobos do mar, não têm medo das ondas que possam criar, aventurando-se em texturas que roçam o industrial ou mesmo o psicadélico. Cada canção é um regalo para o ouvido se deleitar com o domínio da arte de “Fazer Por Merecer”.

Existe um Portugal dentro deles que não acaba e um rock moderno cheio de alma, uma alma purificada pelo sal que sarou as feridas e abriu o caminho para novas descobertas.

Pedro Moreira Dias

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