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Lisboa < Sílvia Pérez Cruz e Salvador Sobral: A Arte de Tocar Corações

Foto-reportagem < Coliseu dos Recreios < 2025.09.19 ©ineews < ©Mariana Tenorio < @tenorio.meri < Texto: Rodrigo Santos

Costumam dizer que “De Espanha, nem bons ventos nem bons casamentos”, mas desta vez, os ventos castelhanos – ou melhor dizendo, catalães – trouxeram-nos um dueto que há muito esperava ser criado.

Em maio, a fusão da genialidade de Salvador Sobral e da poderosa voz de Sílvia Perez Cruz deu origem a um álbum que agora ganha vida numa tour mundial, unindo o que de mais único existe em cada um.

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Sílvia Pérez Cruz + Salvador Sobral < Coliseu dos Recreios < 2025.09.19 ©ineews < ©Mariana Tenorio < @tenorio.meri

Num Coliseu dos Recreios lotado, a dupla proporcionou-nos uma performance que correspondeu às expectativas de quem veio assistir ao 17° espetáculo da tour mundial — um concerto intimista, onde as sonoridades ibéricas e os vocais crus reinaram.

Sílvia & Salvador é um álbum que conjuga músicas em idiomas como o Português, o Espanhol e o Catalão, mas que também abre espaço à língua inglesa e francesa, passando ainda pelos ritmos mexicanos, sendo reflexo da multiculturalidade musical dos dois artistas. Destaca-se ainda a composição das músicas por parte de vários autores, como Jorge Drexler, Jenna Thiam e Javier Galiana, que fizeram aparições em pequenos áudios que antecederam algumas das músicas que compõem o reportório do concerto.

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Sílvia Pérez Cruz + Salvador Sobral < Coliseu dos Recreios < 2025.09.19 ©ineews < ©Mariana Tenorio < @tenorio.meri

O concerto arrancou com a segunda música do álbum, “Ben Poca Cosa Tens”, uma adaptação musicada do poema do catalão Miquel Martí i Pol. Logo de seguida, foi possível ouvir “El Corazón Por Delante”, tema composto pelo mexicano Jorge Drexler.

Após dar as boas-vindas aos milhares de fãs presentes, Salvador Sobral recordou a cumplicidade antiga que o une a Sílvia Pérez Cruz, partilhando com o público a memória de uma ida conjunta a um concerto de Caetano Veloso em Lisboa. “A verdade é que a gente já veio aqui, como amigos, ver um show juntos. Foi o show do rei. Do rei da música, que é o Caetano Veloso. A Sílvia veio de improviso, não tinha bilhete e veio dormir a minha casa”. A artista catalã, por sua vez, não escondeu a emoção de cantar em Lisboa, sublinhando a relação especial que mantém com Portugal. “Eu quero dizer também que estou muito feliz de estar aqui. Muito, muito. Eu adoro cantar em Lisboa. Eu digo sempre que Portugal é muito importante, porque a minha irmã mora aqui há 22 anos, no Alentejo. Os meus sobrinhos são alentejanos. E eu amo Portugal”.

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Sílvia Pérez Cruz + Salvador Sobral < Coliseu dos Recreios < 2025.09.19 ©ineews < ©Mariana Tenorio < @tenorio.meri

O espetáculo continuou com “Já Não É Tarde”, escrita por Luísa Sobral, irmã de Salvador, que fez questão de contar a história por detrás da composição. “Eu contei à minha irmã que íamos fazer este disco, ela foi a primeira, e chegou a casa tarde, com os seus 4 filhos que estão sempre aos berros e fez a canção ali no meio deles”, conta. “Ela percebeu perfeitamente esta união nossa, a forma como as nossas vozes podem combinar e é uma canção muito bonita”.

Em 2017, quando ganhou a Eurovisão, Salvador disse que “a música não é fogo de artifício, é sentimento”, e o palco onde atuou refletiu essa filosofia na perfeição. Minimalista, pessoal e pensado para fazer brilhar as vozes dos dois: um antagonismo brutal à música e aos espetáculos comerciais dos dias de hoje.

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Sílvia Pérez Cruz + Salvador Sobral < Coliseu dos Recreios < 2025.09.19 ©ineews < ©Mariana Tenorio < @tenorio.meri

Depois de “L’amour Reprend Ses Droits” e de “Someone to Sing me to Sleep”, música cuja letra teve a composição de Jenna Thiam, companheira de Salvador, a dupla deixou os seus músicos tomar o palco num momento instrumental onde tocaram “Maruta no Choro”.

De volta a palco, mas desta vez sozinho, Salvador cantou “Ela disse-me assim” música que, segundo o próprio, “fez Caetano Veloso chorar”. Num momento de interação com o público, aproveitou para desabafar sobre a Lisboa que encontrou ao regressar de Barcelona para vir dar este concerto – uma Lisboa das tostas de abacate e dos cafés de especialidade.

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Sílvia Pérez Cruz + Salvador Sobral < Coliseu dos Recreios < 2025.09.19 ©ineews < ©Mariana Tenorio < @tenorio.meri

Num momento seguinte, foi a vez de Sílvia brilhar a solo com “Pequeño vale vienés”. No monólogo antes de interpretar o tema, abordou a importância da música e fez uma dedicatória especial – “Sinto-me muita agradecida pelo meu ofício; cansa, mas é uma salvação; a poesia e a música são, para mim, algo que ajuda a perceber alguma coisa neste mundo tão estranho. É por isso que digo sempre que temos de cuidar da cultura para que ela cuide de nós.”

“Quero cantar a próxima canção pelas pessoas da Palestina”. Ao acabar de cantar, pode-se ouvir “Palestina Livre” vindo da bancada.

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Sílvia Pérez Cruz + Salvador Sobral < Coliseu dos Recreios < 2025.09.19 ©ineews < ©Mariana Tenorio < @tenorio.meri

O concerto continuou com “Este presente”, passando para um registo mais animado com “Mudando os ventos” e “Muerte Chiquita”, que contrastou com o restante concerto, marcado por baladas mais intimistas.

Depois de uma longa ovação de pé da plateia, que acreditava que o concerto havia terminado, o conjunto voltou para fechar a presença na capital portuguesa com “Mañana”, na voz de Sílvia, e com “Anda estragar-me os planos”, música de Salvador Sobral cantada pelo próprio.

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Sílvia Pérez Cruz + Salvador Sobral < Coliseu dos Recreios < 2025.09.19 ©ineews < ©Mariana Tenorio < @tenorio.meri

O projeto dos dois artistas e amigos afirma-se, assim, como um manifesto de intimidade, poesia e diversidade cultural, deixando claro que a música, quando genuína, é capaz de atravessar fronteiras, tocar no coração de quem a ouve e de falar todas as línguas. Depois de Lisboa , a tour Silvia & Sobral vai passar ainda pelo Porto antes de seguir até à Alemanha, o próximo país da digressão. Os fãs da cidade invicta podem ficar descansados, já que é esperado que a dupla entregue uma performance com a solidez e qualidade inquestionável que tem demonstrado.

 

 

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LS

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