O Festival CoolJazz regressou ontem para mais uma edição que promete, Benjamin Clementine, Rita Vian, e Mafalda Nunes foram os protagonistas do primeiro dia.
O artista britânico, conhecido por ser um cantor-poeta, pianista, compositor e performer de grande impacto era a estrela da noite, que contou com uma pequena homenagem aos irmãos Diogo Jota e André Silva falecidos esta semana.

Benjamin Clementine regressou a Portugal, para um dos seus melhores concertos, com o Hipódromo Manuel Possolo, em Cascais quase cheio, maravilhou o público com um concerto cheio de pequenos pormenores e riqueza musical, que não deixou ninguém indiferente.
Passando pelos seus temas mais emblemáticos, numa viagem intensa e robusta, foi levando o público por momentos, umas vezes mais e outras menos intensos, como um maestro vai levando a sua orquestra.

Nascido em Londres, ele teve um percurso de vida singular, tendo sido sem-abrigo em Paris antes de se tornar uma figura de culto na cena musical e artística da cidade. Benjamin Clementine é difícil de categorizar num único género, mas pode ser descrito como uma fusão de vanguarda/experimental pop, mas também como contemporâneo clássico com uma mistura soul/folk.
Clementine é um poeta e as suas letras são muito importantes, muitas vezes entregues com uma dicção teatral, misturando verso, prosa e monólogos, onde fala de integridade, vulnerabilidade, alienação e consciência social.

As suas atuações ao vivo são intensas e teatrais, com Clementine frequentemente a apresentar-se descalço e com um casaco de lã, usando o palco como uma extensão da sua expressão artística. Frequentemente comparado a artistas como Nina Simone, Antony Hegarty e Jacques Brel pela sua intensidade vocal e presença.
Da sua discografia destaca-se:
- “At Least For Now” (2015) foi o seu álbum de estreia, que lhe valeu o prestigiado Mercury Music Prize. Este álbum é uma poderosa coleção de canções que refletem as suas experiências de vida e a sua visão única.
- “I Tell a Fly” (2017) é um álbum mais conceptual e experimental, que explora temas políticos e sociais com a sua habitual perspicácia.
- “And I Have Been” (2022) é o seu terceiro álbum de estúdio, que continua a sua exploração sonora e lírica.

Rita Vian subiu ao palco principal
Rita Vian é uma cantora e compositora portuguesa abriu o palco principal, com uma ascensão controlada e segura, Rita tem vindo a marcar o seus espaço e a ter reconhecimento pela sua música
A sua abordagem inovadora à música, cruzando as raízes do fado com sonoridades eletrónicas e contemporâneas, a sua música descrita como fado eletrónico ou pop urbano, com a importância da palavra e da poesia como forma de auto expressão.

Rita Vian cria uma ponte entre a tradição e a modernidade, a sua voz, cristalina e melancólica, é complementada por batidas que remetem para a eletrónica, hip-hop e R&B. Ela assume influências de artistas como Jorge Palma, Manuel Cruz e Sam The Kid, o que se reflete na profundidade lírica das suas canções.
As suas letras exploram experiências de vida, emoções e a consciência sobre as ações e os sentimentos. Rita Vian refere-se à sua música como “música consciente”, um espaço de vulnerabilidade e honestidade para dar sentido aos seus pensamentos.
Rita Vian na sua discografia conta com o EP CAOS’A de 2021 e o álbum SENSOREAL de 2023.

Plasticine abre o festival
Os Plasticine no Palco Cascais Jazz Sessions by Smooth FM, abriram o festival, o coletivo musical português, originário do Algarve, conhecido pela sua sonoridade de fusão e world music.
A banda Plasticine demonstrou a sua capacidade de transgredir géneros musicais, misturando uma vasta gama de influências para criar uma “tapeçaria musical única”. A sua música passa pelo rock progressivo, funk, jazz e Soul, no palco do CoolJazz, tiveram uma plateia cheia de amigos e fãs com a sua música pulsante, energética que se inspira sem preconceitos na música que o mundo oferece.

O grupo tem uma formação flexível e, em palco, costumam contar com cerca de 10 elementos, o que lhes dá uma sonoridade rica e orquestral. A banda teve muitos músicos ao longo dos anos, no entanto, alguns dos membros são
- João Faísca: Vocalista e guitarrista (e teclados).
- Pedro Barroso: Guitarras, baixo e vozes.
- Ivo Martins: Bateria.
- Pedro Guerreiro: Baixo.
- Pedro Glória: Percussão, monotron e voz.
- Wesley Seme: Vocalista e teclista (francês, da Martinica).
- Lana Gasparotti: Teclas e vozes.
- João Barbosa: Trompete.
- Marco Canas: Saxofone.
- Ricardo Lopes: Trombone.
A banda Plasticine tem lançado vários trabalhos que demonstram a sua versatilidade, como, The Most Beautiful Skies (2022) e Millennials (2024).
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